segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

O porre do Vande

Essa aconteceu depois de uma festa que atravessou a noite, o que, na nossa época, era difícil acontecer. Os botecos fechavam cedo, a cidade não tinha nenhum tipo de atração noturna. Tínhamos que inventar algumas comemorações especiais para reunir a turma.

Fim de festa, o dia amanhecendo, todo mundo de tanque cheio e começando a refugar cachaça. Vande Mendonça, que sempre foi dos que mais bebiam, com uma resistência que surpreendia a todos, reclamou que não estava bem. 

Os amigos foram acudi-lo e ele explicou que estava sentindo o estômago embrulhado, cheio demais. Alguém quis ajudar:

- Enfie o dedo na garganta e vomite. Só assim pra você melhorar.

Ele não perdoou:

- Se coubesse o dedo eu bebia mais uma!

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Memória 108 (João Lara)

João Lara (1982) - O mais famoso pipoqueiro da cidade, atendendo aos pequenos Vinicius Giamatei e Maurício Fantini de Moraes.
(foto: Álbum de Aldair Giamatei).

Gappinha Ranieli

Carlos Mesquita convidou os cunhados, a dupla Gappa e Gappinha, para uma pescaria. Arrumaram as tralhas e partiram num Fiat 147 para os ranchos de Auriflama, sem esquecer o ingrediente principal da aventura: uma caixa de cerveja bem gelada.

Quase fim de tarde, fim da cerveja, foram conferir o resultado da pesca: 3 peixinhos mixurucas. Resolveram voltar. No meio do caminho o carro pifou. Abriram o motor, examinaram algumas peças, até que um deles desconfiou: acabou a gasolina!

- Não é possível! - disse o proprietário do possante - enchi o tanque hoje cedo!

Uma camionete apareceu e deu carona para o Gappinha até a cidade. Meia hora depois ele apareceu na garupa de um mototáxi. Escurecia quando chegaram em Auriflama e decidiram parar numa lanchonete para tomar mais umas enquanto o carro era reabastecido. A fome apertou mas o dinheiro não dava para muita coisa. Os últimos trocados seriam guardados para mais algumas cervejas, pois, apesar da fome, ninguém se habilitava a trocar bebida por comida naquele momento.

A dona da lanchonete começou a preparar uns petiscos para a clientela e o aroma do ambiente foi atiçando e fazendo roncar a barriga dos salgadenses. Mesquita puxou assunto, elogiou o cheiro da comida, disse que eram da vizinha cidade, estavam de passeio, foram conhecer os ranchos e pescar alguma coisa. Pegaram muito? Quis saber a gentil senhora:

- Não! Pegamos só uns 30 quilos!

- Eu sempre compro peixes do pessoal que pesca lá nos ranchos. Se vocês quiserem vender um pouco eu compro! - disse a comerciante.

- Podemos fazer negócio então. Mas a senhora não precisa pagar não. A gente troca peixe por comida, pode ser?

- Claro que sim! O que vocês querem?

A mesa foi servida de vários aperitivos e os famintos atacaram, principalmente o Gappa, com o apetite voraz que sempre lhe foi peculiar. Mesquita percebeu que o local era repleto de fotos de futebol e direcionou a prosa, perguntando se os proprietários da lanchonete gostavam do esporte. Responderam dizendo que tinham um conhecido (ou parente) que havia jogado no Corinthians, o Wilson Mano. Aí o salgadense preparou o golpe:

- Esse aqui - apontou o Gappinha - é o Ranieli, que jogou no Palmeiras na mesma época em que o Mano estava no Corinthians. Vocês devem ter ouvido falar, ele e o Mano eram muito amigos...

Surpresos, os comerciantes vieram conhecer de perto e cumprimentar o famoso boleiro, dizendo-se honrados pela presença. O Gappinha "Ranieli" desandou a contar das aventuras que havia passado junto com o atleta auriflamense, jogos, vitórias, derrotas e tudo o mais. E encerrou dizendo que tinha muita saudade, que gostaria de reencontrar o amigo, de quem há muito não recebia notícias. Apresentaram-lhe uma foto para que ele autografasse e ele escreveu em letras garrafais: "Ao amigo Wilson Mano, um grande abraço do Ranieli". E o quadro voltou para a parede.

Na hora de pagar a despesa, por conta da gentileza do visitante famoso, cobraram apenas as cervejas, deixando as porções pela serventia da casa.

No dia seguinte o Mesquita foi sair cedo para o trabalho e o carro não funcionava. Olhou no marcador: seco! Só então descobriu que o tanque estava furado.

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Blog do Fred



Pergunte ao Fred - Fred Wagner integra o grande grupo de paulistanos que descobriu General Salgado através dos amigos e tornou-se assíduo visitante da cidade, especialmente nos carnavais do Bloco PB!. Publicitário e consultor, foi colunista da Revista UMA e do site Itodas. É dono de um dos blogs mais interessantes da grande rede, respondendo indagações sobre relacionamentos amorosos e o universo masculino. Ele promete responder todas as mensagens e contribuir para a solução dos problemas apresentados. O Blog Pergunte ao Fred merece uma visita (CLIQUE AQUI).

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Memória 107 (Rainha do Baile)

Bailes de Gala - Aniversário da cidade (1970) - Nos anos 70/80 o Salgadense Esporte Clube promovia grandes bailes de gala. O principal deles comemorava o aniversário da cidade com um concurso de beleza entre as jovens salgadenses. Na foto: o dirigente do clube Paschoal Pompílio, a princesa Aldair Silva (casou-se com Pedro Giamatei), a rainha Maria Tereza Posseti (casou-se com Nildemar Marques) e o mestre de cerimônias Norival Cabrera.
(foto: Álbum de Aldair Giamatei)

Histórias dos Bailes de Gala do Salgadense: (CLIQUE AQUI)

Camisada

Wilson Gasques, o famoso Camisada, sempre foi conhecido pelo jeito característico de falar aos arrancos, emendando frases, comendo letras e misturando palavras. Funcionário da Prefeitura, numa determinada época trabalhava no almoxarifado. Naquele tempo não existia telefone celular e a administração mantinha contato com os motoristas através do rádio-amador.

Certo dia foi chamado ao setor de rádio para atender um motorista que pedia socorro. Sem estar habituado à linguagem dos rádios amadores, pediu explicações e o motorista esclareceu:

- Camisada, o ônibus quebrou aqui perto do Cachorro Sentado, acho que é o motor, câmbio.

- Quebrou o motor ou o câmbio?

- Foi o motor Camisada, câmbio.

- Digaça, parece que você não entende nada de mecânica...

- Entendo um pouco sim, Camisada, pifou o motor, manda socorro, câmbio.

- Calai, impossível ter quebrado, esse câmbio é novinho...

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Memória 106 (Joaquim Dourado)


Joaquim Dourado - Por muitos anos, seu Joaquim foi proprietário de uma oficina do tipo conserta-tudo, nos altos da Avenida Antonino José de Carvalho. Casado com dona Noêmia dos Santos Dourado, era pai de Nilson, Nilton, Rosângela e Placídio. Placídio Dourado é o atual proprietário do antigo Bar do Zé do Peto, na esquina da Avenida Antonino com a Rua Vicente Rodrigues Mendonça.
(foto: Álbum de Placídio Dourado)

Vande Outra Vez

Vande Mendonça trabalhou na agência do Banco Real que existiu nos anos 70/80 em General Salgado, instalada na esquina da Avenida Antonino com a Rua Nadir Garcia. Naquele tempo os bancos - assim como quase todo o comércio - fechavam para almoço. Antes da bóia os bancários costumavam fazer uma parada estratégica e obrigatória no Bar do Nino Giamatei para abrir o apetite.

Num desses dias, acompanhado de alguns colegas de serviço (Jorge Vieira, Hugo e Angelo Beltran), Vande encostou-se no balcão do Nino e pediu uma cachaça com certa ansiedade, dizendo que naquele dia havia acordado com uma grande vontade de beber. Nino quis entender a história direito e ele se explicou:

- Essa noite eu sonhei que estava andando numa estrada comprida sentindo muita sede, até chegar numa venda. Imediatamente pedi uma pinga para o botequeiro. Ele botou o copo no balcão, encheu de cachaça, e quando eu fui pegar o copo, perguntou se eu queria pura ou com limão. Respondi que preferia com limão. Quando ele se virou para buscar o limão eu acordei. Eu fui muito burro!

- Ué Vande? Burro porquê?

- Porque inventei de pedir limão! Se tivesse pedido pura tinha dado tempo de beber...

Outros causos do Vande: (CLIQUE AQUI).

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Memória 105 (Malukos na piscina)

Carnaval 1988 - Integrantes do Bloco Maluko se refrescando na residência de D. Lúcia e Marino Secches: Carlos José, (não identificada), Carine Chibeni, Andréa Bacalá, Marquinhos Secches, Maurício Fantini, Gappa, Cleire de Almeida, Silvana Javarez, Maurinho, Zoinho e Zeza.
Atualização em 31/20/2011: Maurinho, que depois de vários carnavais tornou-se salgadense em definitivo, casando-se com Marli Cardoso, mandou mensagem para dizer que o penúltimo retratado é o Zoinho e não o Papel. Maurinho, Zoinho, Papel, Tim Tones, Minguinho e Lepô, eram amigos paulistanos do salgadense Bacana que por muitos anos frequentaram os carnavais do Bloco Maluko. Maurinho e Minguinho gostaram tanto da cidade e dos salgadenses que acabaram se fixando em definitivo na terrinha.
(foto: Álbum de Andréa Bacalá Marques). 

Memória 104 (Carnaval 1988)

Carnaval 1988 - A bateria do bloco Tô-que-tô se preparando para animar a festa do Bloco das Piranhas: Marcelo Cruzeiro, Edson Alves (Birolinho), Chiquinho Cervantes, Pedrinho Arruda e Gustão Cervantes.
(foto: Álbum de Andréa Bacalá Marques)

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Burrada

Havia longo tempo que o menino vinha atentando o pai e pedindo o presente dos seus sonhos: uma bicicleta. Meeiro de roça num pequeno sítio nas proximidades de São João de Iracema, o pai não dispunha de recursos para tanto, mas prometeu que tentaria satisfazer o desejo do filho se da próxima safra resultasse o lucro esperado.

Passou-se o tempo planejado e dos ganhos do roçado o pai conseguiu apartar uns cobres para "apanhar" uma bicicleta de segunda mão. O menino ficou satisfeito, não cabia em si de tanto contentamento. Tanto que não mais se apartava do presente. O pequeno sítio acabou inteiramente cortado pelos sulcos dos pneus do novo brinquedo, que na hora de dormir era guardado no quarto do dono, ao lado de sua cama.

Numa tarde o pai chamou o menino: "vá lá no pasto de cima buscar o burro". O piquete era perto da casa e nele o burro ficava recolhido para facilitar o serviço quando fosse necessário atá-lo à carroça. Porém, andava escasso de grama e por isso o animal havia sido solto no pasto de cima, onde o capim era mais abundante e vistoso. O menino não se animou a caminhar até onde animal pastava, montou na magrela e saiu pedalando.

Ao ser cabresteado o burro não ofereceu resistência, talvez tenha estranhado um pouco quando a ponta da corda foi amarrada na garupa da bicicleta, mas mesmo assim seguiu adiante, puxado pelo ciclista que seguia em marcha lenta e internamente comemorava o feito, pois havia encontrado uma forma de facilitar os  pequenos serviços que o pai lhe destinava.

Na passagem do pasto para o piquete havia uma chave de arame, um tipo de cancela muito comum na zona rural, e que obriga o transeunte a enroscar o balancim ao qual o aramado é preso em duas alças fixadas num palanque. O ciclista abriu a chave, esperou o burro passar pela cancela, parou a bicicleta e armou seu descanso, acreditando que - preso pelo cabresto à garupa - o asno o aguardaria fechar a passagem. O animal até que entendeu a situação e ficou esperando. O menino encaixou a base do balancim na alça de baixo, e quando se preparava para enroscar a ponta do guatambu na alça de cima ouviu um barulho estranho e virou-se para assistir a uma cena estarrecedora.

Sem perceber, o ciclista havia escorado o descanso em solo arenoso, a bicicleta derrapou vagarosamente e ao atingir o chão produziu na rédea um golpe suficiente para espantar o burro, que estirou e saiu em desabalada carreira no rumo da casa.

A magrela foi sendo arrastada em meio aos murundus, buracos de trilhos e coices do burro, que quanto mais percebia estar sendo por ela perseguido, mais se assustava e acelerava a toada. O animal só mitigou a marcha quando chegou ao portão da morada, também pelo fato de que, no trajeto, algumas partes da magrela foram ficando pelo caminho. Quando o desesperado menino conseguiu alcançar o local onde o burro, ainda espantado, bufava e zunia, levou às mãos à cabeça: do tão sonhado presente só restava a carcaça retorcida da qual nada mais se aproveitava.

Foi preciso esperar outra boa safra para conseguir convencer o pai a comprar-lhe outra bicicleta. Autor da façanha: nosso amigo Luiz Antonio de Souza, o famoso Sapo.

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Memória 103 (Irmãos Contente - 1942)


Irmãos Contente (1942) - Os filhos do casal Adelina e Vitorino Contente: Cacilda se casou com Natal Mendonça; Edgard, o Déga, casou-se com Inês Giamatei; e Vilma com José Cândido Vieira (Nego Alfaiate). Os pioneiros da família Contente faziam parte de um dos primeiros grupos de imigrantes italianos (ou descendentes) que chegaram à região logo depois da fundação da cidade (anos 30/40).
Atualização em 31/10/2011: Marta Contente enviou mensagem corrigindo o nome de seu pai, Edgard, e o sobrenome de dona Inês, que é filha do famoso Gregório Giamatei.
(foto: Álbum de Ivone Vieira Lopes).

Pitanguinha 2

Essa aconteceu na época em que o saudoso Marcelo Pereira, o famoso Instalação, ainda estava entre nós.

Num dos bares da cidade o Pitanguinha divertia uma turma enquanto filava cigarros e trocados. Puxou um deles pela manga da camisa:

- Ô Instalação, me dá 5 reais...

Sem receber atenção - alguns relembravam casos engraçados enquanto os demais riam e puxavam outros acontecimentos pela memória - ele insistia:

- Ôô Instalação, arruma 5 reais pra mim...

Depois de muita cobrança o cobrado perdeu a paciência.

- Pitanguinha, vai encher o saco de outro. Eu nem sou o Instalação... Eu sou o Gargamel eletricista...

- Ué! Então você é o Instalação sim! Instalação de luz. Me dá cincão aí vai!!!

(veja outros causos do Pitanguinha e do Instalação).

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Bar Tribunal 2

No dia 6 de setembro próximo passado consegui cumprir a promessa feita ao amigo salgadense Marcelo Cruzeiro e visitar o Bar Tribunal, na capital paulista. (lembre AQUI).

Visão geral do bar

Contei com a prazerosa companhia de outros salgadenses "capitalistas": Wesley Galhardo, Márcia e Breno Giamatei.

O Bar é grande, muito bonito, bem decorado com peças de antiquário, quadros e máquinas de escrever antigas, ambiente agradável, serviço de primeira, cerveja farta e glacial. E o que mais impressiona: o tempo todo lotado!

Cerveja de primeira qualidade estupidamente gelada.

O bar fechou à meia-noite e o proprietário ainda nos aguentou do lado de dentro até uma e meia.

Cal, Marcelo Cruzeiro e Wesley Galhardo

Para lembrar a nossa General Salgado e homenagear o pai, Marcelo pendurou na parede uma foto do seu Mauro Cruzeiro detrás do balcão da antiga Cantina do Papai.

O Bar Tribunal merece a visita, veja o MAPA AQUI. Endereço: Rua Jericó nº 15 (esquina com Rua Original), Vila Madalena - SP.

Só tenho uma reclamação a fazer: Marcelo não me deixou pagar a conta!
Desse jeito vou ter que voltar...

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Memória 102 (Estudantes - Anos 60)


Estudantes salgadenses (Anos 60) - Moema Julia da Silva, Degene May, Marita, Adenir Silva e Nilva. Uso de bobs e lenço na cabeça, naquela época, indicava preparativos para algum grande evento social.
(foto: Álbum de Adenir Silva)