terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Feliz Natal


Praça N. Sra. das Dores - General Salgado (SP)
(foto: Glauber Costa, publicada no site oficial da cidade: http://www.generalsalgado.sp.gov.br/).

Soberano Singular

Durante milênios Ele foi aguardado. Falava-se de um soberano poderoso, governador das estrelas. Um Ser, cujo poder abalaria o mundo.

Os homens O idealizaram coberto de riquezas, rodeado de servos. Imaginaram que Seu nascimento seria noticiado a todos os poderosos da Terra.

Que haveria sons de trombetas e anúncios bombásticos. Então, Ele chegou. Aguardou um dia em que a cidade regurgitava de estrangeiros e todas as mentes estavam voltadas para as questões das suas próprias existências. Buscou um lugar mais afastado, longe do burburinho das gentes. Um estábulo.

Entre o feno foi-Lhe preparado um improvisado berço. E Ele veio à luz, tendo como testemunhas silenciosas um boi e um burro. Animais que simbolizam o trabalho e a submissão.

Escolheu por pai um carpinteiro, um homem de índole pacífica e rija têmpera. Por mãe, uma jovem mulher, portadora de peregrinas virtudes e invulgar sabedoria.

Como arautos de Sua chegada teve um coro de vozes celestiais segredando a almas simples, no campo, as notícias alvissareiras: chegara o Rei.

E os pastores, deixando suas ovelhas, foram procurar o menino envolto em panos, conforme lhes falara o celeste mensageiro.

Um nascimento na noite/madrugada. Um menino que dividiria a História da Humanidade, que conquistaria o reino mais difícil de ser encontrado: o coração da criatura humana.

Na fragilidade em que Se exilou, de forma temporária, pacientemente aguardou que o tempo Lhe fosse propício à semeadura para a qual viera.

Quando o tempo se fez, deixou o lar paterno e foi amealhar Seus seguidores. A nenhum prometeu valores amoedados ou projeção pessoal. Ao contrário, falou de abnegação, de perseverança e dedicação. Alertou que nada deviam esperar do mundo porque Ele próprio não era detentor de uma pedra sequer para repousar Sua cabeça.

Alertou do trabalho incansável a que Ele Se devotava, da mesma forma que o Pai que está nos Céus.
Disse das aflições e das perseguições que padeceriam, simplesmente por segui-lO e divulgar a Sua mensagem.

Veio para servir, jamais desejando para Si qualquer honraria ou deferência. Encontrou o coração dilacerado de uma mãe viúva, conduzindo o corpo do filho ao túmulo e o restituiu ao materno carinho.

Estendeu convite a um jovem rico de ambições, a uma mulher equivocada, a um cobrador de impostos, a uma vendedora de ilusões. Consolou os aflitos corações das mulheres que por Ele derramavam lágrimas, no caminho do Calvário.

Entregou-Se em sacrifício, sem nenhuma nota dissonante, e dignificou a morte, aceitando-a em preces ao Pai.

Na data em que Seu nascimento é lembrado, entre cânticos de ventura e mimosas trocas de presentes, nossos corações se erguem, em preces, louvando-Lhe a Celeste presença.

E, com sempre inusitada alegria, reunimos a família em torno da mesa, visitamos os amigos, abraçamos os colegas.

Tudo em nome e em homenagem a um menino, Celeste Menino, vindo das estrelas ao nosso ainda pobre e sofrido planeta de provas e expiações.

Rei solar. Rei dos céus. Pastor das almas. Mestre e Senhor. Nosso Senhor Jesus.

(redação do Momento Espírita. Em 19.12.2011).

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Memória 110 (Romano e Romeu)



Romano e Romeu (1981) - Os irmãos Marão e Odair animavam as festas salgadenses nos anos 70, e no início dos anos 80 conseguiram gravar alguns discos com relativo sucesso. Exímios violonistas, eram requisitados em toda a região para cantar em festas e eventos.
(foto: Álbum de Pedro Giamatei).

New Castilho City

Essa aconteceu em meados dos anos 80.

Zé do Braz arrumou um peão que não tinha muito jeito para o trabalho, chamado Angorá. Como o dito cujo não gostava do batente, o patrão começou a carregá-lo para cima e para baixo como companhia. Passou a ser tratado de "segurança do Zé do Braz", e gostou da idéia, praticamente assumindo o papel. Em todos os locais em que paravam para conversar com alguém ou tratar de algum negócio, o peão ficava olhando ao redor, comportando-se como verdadeiro guarda-costas.

Certo dia em Nova Castilho, o segurança chegou no boteco do Zé Carlos Honorato e avisou que o "doutor Zé do Braz" tinha ido embora para Auriflama e deixado a ele a responsabilidade de cuidar do vilarejo. Imediatamente a turma decidiu aprontar alguma.

Gumercindo Pereira saiu de fininho e, ao retornar, começou a discutir am altos brados com o Zé das Vacas. No meio do bate-boca levantou a camisa para mostrar um revólver na cintura. Zé das Vacas foi até o carro e também retornou armado, dando corda à "discussão" e exibindo o revólver. Quando notou os contendores armados e percebeu que a discussão poderia piorar, Angorá tentou acalmar os ânimos. Mas sua intervenção nada adiantou e o bate-boca pegou fogo. De repente os brigões partiram para o meio da rua e sacaram as armas, enquanto o Angorá se escondeu atrás do balcão da venda.

Gumercindo e Zé das Vacas, um atrás de um poste e outro acocorado ao lado de um carro, apontavam as armas e faziam de conta que atiravam. Enquanto isso, alguém da turma acendia bombinhas de festa junina e jogava na rua ao lado. Depois de uns dez minutos de tiroteio - acabou o estoque de bombas - tiveram que dar uma trégua, e o Angorá, aproveitando o armistício, saiu correndo em direção ao Posto Telefônico.

Naquele tempo, o Posto Telefônico funcionava ao lado do Bar do João Careca, e sua filha Dinha era uma das telefonistas. Esbaforido e com os olhos arregalados Angorá entrou no posto e pediu uma ligação urgente para o Dr. Zé do Braz, em Auriflama. Mas a telefonista também estava avisada da brincadeira, e transferiu a ligação para a casa do Gumercindo, onde todos aguardavam o fecho da estória.

- Dr. Zé do Braz, pelo amor de Deus! O senhor precisa vir aqui em Nova Castilho agora!

- Que aconteceu Angorá? - perguntou Gumercindo tentando imitar o Zé do Braz - Eu não deixei você responsável por tudo? Como é que você me deixa acontecer alguma bagunça aí? O que é que foi?

- Doutor! Isso aqui virou um faroieste!

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Memória 109 (Atletas)


Estádio Paulo Posseti (1970) - Os atletas Pedrinho Giamatei e Edgar Contente (o Dega), se preparando para mais uma apresentação do escrete salgadense. Os muros do Estádio Municipal Paulo Posseti só foram construídos por volta de 1976/77, quando houve uma festa de reinauguração.
(foto: Álbum de Pedro Giamatei).

O porre do Vande

Essa aconteceu depois de uma festa que atravessou a noite, o que, na nossa época, era difícil acontecer. Os botecos fechavam cedo, a cidade não tinha nenhum tipo de atração noturna. Tínhamos que inventar algumas comemorações especiais para reunir a turma.

Fim de festa, o dia amanhecendo, todo mundo de tanque cheio e começando a refugar cachaça. Vande Mendonça, que sempre foi dos que mais bebiam, com uma resistência que surpreendia a todos, reclamou que não estava bem. 

Os amigos foram acudi-lo e ele explicou que estava sentindo o estômago embrulhado, cheio demais. Alguém quis ajudar:

- Enfie o dedo na garganta e vomite. Só assim pra você melhorar.

Ele não perdoou:

- Se coubesse o dedo eu bebia mais uma!

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Memória 108 (João Lara)

João Lara (1982) - O mais famoso pipoqueiro da cidade, atendendo aos pequenos Vinicius Giamatei e Maurício Fantini de Moraes.
(foto: Álbum de Aldair Giamatei).

Gappinha Ranieli

Carlos Mesquita convidou os cunhados, a dupla Gappa e Gappinha, para uma pescaria. Arrumaram as tralhas e partiram num Fiat 147 para os ranchos de Auriflama, sem esquecer o ingrediente principal da aventura: uma caixa de cerveja bem gelada.

Quase fim de tarde, fim da cerveja, foram conferir o resultado da pesca: 3 peixinhos mixurucas. Resolveram voltar. No meio do caminho o carro pifou. Abriram o motor, examinaram algumas peças, até que um deles desconfiou: acabou a gasolina!

- Não é possível! - disse o proprietário do possante - enchi o tanque hoje cedo!

Uma camionete apareceu e deu carona para o Gappinha até a cidade. Meia hora depois ele apareceu na garupa de um mototáxi. Escurecia quando chegaram em Auriflama e decidiram parar numa lanchonete para tomar mais umas enquanto o carro era reabastecido. A fome apertou mas o dinheiro não dava para muita coisa. Os últimos trocados seriam guardados para mais algumas cervejas, pois, apesar da fome, ninguém se habilitava a trocar bebida por comida naquele momento.

A dona da lanchonete começou a preparar uns petiscos para a clientela e o aroma do ambiente foi atiçando e fazendo roncar a barriga dos salgadenses. Mesquita puxou assunto, elogiou o cheiro da comida, disse que eram da vizinha cidade, estavam de passeio, foram conhecer os ranchos e pescar alguma coisa. Pegaram muito? Quis saber a gentil senhora:

- Não! Pegamos só uns 30 quilos!

- Eu sempre compro peixes do pessoal que pesca lá nos ranchos. Se vocês quiserem vender um pouco eu compro! - disse a comerciante.

- Podemos fazer negócio então. Mas a senhora não precisa pagar não. A gente troca peixe por comida, pode ser?

- Claro que sim! O que vocês querem?

A mesa foi servida de vários aperitivos e os famintos atacaram, principalmente o Gappa, com o apetite voraz que sempre lhe foi peculiar. Mesquita percebeu que o local era repleto de fotos de futebol e direcionou a prosa, perguntando se os proprietários da lanchonete gostavam do esporte. Responderam dizendo que tinham um conhecido (ou parente) que havia jogado no Corinthians, o Wilson Mano. Aí o salgadense preparou o golpe:

- Esse aqui - apontou o Gappinha - é o Ranieli, que jogou no Palmeiras na mesma época em que o Mano estava no Corinthians. Vocês devem ter ouvido falar, ele e o Mano eram muito amigos...

Surpresos, os comerciantes vieram conhecer de perto e cumprimentar o famoso boleiro, dizendo-se honrados pela presença. O Gappinha "Ranieli" desandou a contar das aventuras que havia passado junto com o atleta auriflamense, jogos, vitórias, derrotas e tudo o mais. E encerrou dizendo que tinha muita saudade, que gostaria de reencontrar o amigo, de quem há muito não recebia notícias. Apresentaram-lhe uma foto para que ele autografasse e ele escreveu em letras garrafais: "Ao amigo Wilson Mano, um grande abraço do Ranieli". E o quadro voltou para a parede.

Na hora de pagar a despesa, por conta da gentileza do visitante famoso, cobraram apenas as cervejas, deixando as porções pela serventia da casa.

No dia seguinte o Mesquita foi sair cedo para o trabalho e o carro não funcionava. Olhou no marcador: seco! Só então descobriu que o tanque estava furado.

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Blog do Fred



Pergunte ao Fred - Fred Wagner integra o grande grupo de paulistanos que descobriu General Salgado através dos amigos e tornou-se assíduo visitante da cidade, especialmente nos carnavais do Bloco PB!. Publicitário e consultor, foi colunista da Revista UMA e do site Itodas. É dono de um dos blogs mais interessantes da grande rede, respondendo indagações sobre relacionamentos amorosos e o universo masculino. Ele promete responder todas as mensagens e contribuir para a solução dos problemas apresentados. O Blog Pergunte ao Fred merece uma visita (CLIQUE AQUI).

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Memória 107 (Rainha do Baile)

Bailes de Gala - Aniversário da cidade (1970) - Nos anos 70/80 o Salgadense Esporte Clube promovia grandes bailes de gala. O principal deles comemorava o aniversário da cidade com um concurso de beleza entre as jovens salgadenses. Na foto: o dirigente do clube Paschoal Pompílio, a princesa Aldair Silva (casou-se com Pedro Giamatei), a rainha Maria Tereza Posseti (casou-se com Nildemar Marques) e o mestre de cerimônias Norival Cabrera.
(foto: Álbum de Aldair Giamatei)

Histórias dos Bailes de Gala do Salgadense: (CLIQUE AQUI)

Camisada

Wilson Gasques, o famoso Camisada, sempre foi conhecido pelo jeito característico de falar aos arrancos, emendando frases, comendo letras e misturando palavras. Funcionário da Prefeitura, numa determinada época trabalhava no almoxarifado. Naquele tempo não existia telefone celular e a administração mantinha contato com os motoristas através do rádio-amador.

Certo dia foi chamado ao setor de rádio para atender um motorista que pedia socorro. Sem estar habituado à linguagem dos rádios amadores, pediu explicações e o motorista esclareceu:

- Camisada, o ônibus quebrou aqui perto do Cachorro Sentado, acho que é o motor, câmbio.

- Quebrou o motor ou o câmbio?

- Foi o motor Camisada, câmbio.

- Digaça, parece que você não entende nada de mecânica...

- Entendo um pouco sim, Camisada, pifou o motor, manda socorro, câmbio.

Calai, impossível ter quebrado, esse câmbio é novinho...

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Memória 106 (Joaquim Dourado)


Joaquim Dourado - Por muitos anos, seu Joaquim foi proprietário de uma oficina do tipo conserta-tudo, nos altos da Avenida Antonino José de Carvalho. Casado com dona Noêmia dos Santos Dourado, era pai de Nilson, Nilton, Rosângela e Placídio. Placídio Dourado é o atual proprietário do antigo Bar do Zé do Peto, na esquina da Avenida Antonino com a Rua Vicente Rodrigues Mendonça.
(foto: Álbum de Placídio Dourado)

Vande Outra Vez

Vande Mendonça trabalhou na agência do Banco Real que existiu nos anos 70/80 em General Salgado, instalada na esquina da Avenida Antonino com a Rua Nadir Garcia. Naquele tempo os bancos - assim como quase todo o comércio - fechavam para almoço. Antes da bóia os bancários costumavam fazer uma parada estratégica e obrigatória no Bar do Nino Giamatei para abrir o apetite.

Num desses dias, acompanhado de alguns colegas de serviço (Jorge Vieira, Hugo e Angelo Beltran), Vande encostou-se no balcão do Nino e pediu uma cachaça com certa ansiedade, dizendo que naquele dia havia acordado com uma grande vontade de beber. Nino quis entender a história direito e ele se explicou:

- Essa noite eu sonhei que estava andando numa estrada comprida sentindo muita sede, até chegar numa venda. Imediatamente pedi uma pinga para o botequeiro. Ele botou o copo no balcão, encheu de cachaça, e quando eu fui pegar o copo, perguntou se eu queria pura ou com limão. Respondi que preferia com limão. Quando ele se virou para buscar o limão eu acordei. Eu fui muito burro!

- Ué Vande? Burro porquê?

- Porque inventei de pedir limão! Se tivesse pedido pura tinha dado tempo de beber...

Outros causos do Vande: (CLIQUE AQUI).

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Memória 105 (Malukos na piscina)

Carnaval 1988 - Integrantes do Bloco Maluko se refrescando na residência de D. Lúcia e Marino Secches: Carlos José, (não identificada), Carine Chibeni, Andréa Bacalá, Marquinhos Secches, Maurício Fantini, Gappa, Cleire de Almeida, Silvana Javarez, Maurinho, Zoinho e Zeza.
Atualização em 31/20/2011: Maurinho, que depois de vários carnavais tornou-se salgadense em definitivo, casando-se com Marli Cardoso, mandou mensagem para dizer que o penúltimo retratado é o Zoinho e não o Papel. Maurinho, Zoinho, Papel, Tim Tones, Minguinho e Lepô, eram amigos paulistanos do salgadense Bacana que por muitos anos frequentaram os carnavais do Bloco Maluko. Maurinho e Minguinho gostaram tanto da cidade e dos salgadenses que acabaram se fixando em definitivo na terrinha.
(foto: Álbum de Andréa Bacalá Marques). 

Memória 104 (Carnaval 1988)

Carnaval 1988 - A bateria do bloco Tô-que-tô se preparando para animar a festa do Bloco das Piranhas: Marcelo Cruzeiro, Edson Alves (Birolinho), Chiquinho Cervantes, Pedrinho Arruda e Gustão Cervantes.
(foto: Álbum de Andréa Bacalá Marques)

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Burrada

Havia longo tempo que o menino vinha atentando o pai e pedindo o presente dos seus sonhos: uma bicicleta. Meeiro de roça num pequeno sítio nas proximidades de São João de Iracema, o pai não dispunha de recursos para tanto, mas prometeu que tentaria satisfazer o desejo do filho se da próxima safra resultasse o lucro esperado.

Passou-se o tempo planejado e dos ganhos do roçado o pai conseguiu apartar uns cobres para "apanhar" uma bicicleta de segunda mão. O menino ficou satisfeito, não cabia em si de tanto contentamento. Tanto que não mais se apartava do presente. O pequeno sítio acabou inteiramente cortado pelos sulcos dos pneus do novo brinquedo, que na hora de dormir era guardado no quarto do dono, ao lado de sua cama.

Numa tarde o pai chamou o menino: "vá lá no pasto de cima buscar o burro". O piquete era perto da casa e nele o burro ficava recolhido para facilitar o serviço quando fosse necessário atá-lo à carroça. Porém, andava escasso de grama e por isso o animal havia sido solto no pasto de cima, onde o capim era mais abundante e vistoso. O menino não se animou a caminhar até onde animal pastava, montou na magrela e saiu pedalando.

Ao ser cabresteado o burro não ofereceu resistência, talvez tenha estranhado um pouco quando a ponta da corda foi amarrada na garupa da bicicleta, mas mesmo assim seguiu adiante, puxado pelo ciclista que seguia em marcha lenta e internamente comemorava o feito, pois havia encontrado uma forma de facilitar os  pequenos serviços que o pai lhe destinava.

Na passagem do pasto para o piquete havia uma chave de arame, um tipo de cancela muito comum na zona rural, e que obriga o transeunte a enroscar o balancim ao qual o aramado é preso em duas alças fixadas num palanque. O ciclista abriu a chave, esperou o burro passar pela cancela, parou a bicicleta e armou seu descanso, acreditando que - preso pelo cabresto à garupa - o asno o aguardaria fechar a passagem. O animal até que entendeu a situação e ficou esperando. O menino encaixou a base do balancim na alça de baixo, e quando se preparava para enroscar a ponta do guatambu na alça de cima ouviu um barulho estranho e virou-se para assistir a uma cena estarrecedora.

Sem perceber, o ciclista havia escorado o descanso em solo arenoso, a bicicleta derrapou vagarosamente e ao atingir o chão produziu na rédea um golpe suficiente para espantar o burro, que estirou e saiu em desabalada carreira no rumo da casa.

A magrela foi sendo arrastada em meio aos murundus, buracos de trilhos e coices do burro, que quanto mais percebia estar sendo por ela perseguido, mais se assustava e acelerava a toada. O animal só mitigou a marcha quando chegou ao portão da morada, também pelo fato de que, no trajeto, algumas partes da magrela foram ficando pelo caminho. Quando o desesperado menino conseguiu alcançar o local onde o burro, ainda espantado, bufava e zunia, levou às mãos à cabeça: do tão sonhado presente só restava a carcaça retorcida da qual nada mais se aproveitava.

Foi preciso esperar outra boa safra para conseguir convencer o pai a comprar-lhe outra bicicleta. Autor da façanha: nosso amigo Luiz Antonio de Souza, o famoso Sapo.