sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Luísa e as pitangas









Luísa e as pitangas

A estação das frutas sempre foi minha preferida.
Cresci numa fazenda, em Nova Castilho, em meio a pomares repletos das mais variadas frutas. A grande maioria dos colegas que frequentavam comigo a escola do pequeno distrito vinha da zona rural. Era muito comum levarmos frutas para a hora do recreio, ou para presentear as professoras. Aqueles que não tinham pomar no quintal de casa, procuravam nas árvores que beiravam as estradas.
Jatobás, macaúbas, guabirobas, pitangas, mangas, goiabas, jabuticabas e jambos eram as preferidas.
Ao construir nossa casa em Chapadão do Sul, eu e Samanta planejamos um quintal com muitas árvores frutíferas. Minha sogra Adenair Ramos providenciou as mudas e o plantio.
Temos assistido, com imensa satisfação, nossa pequena Luísa se afeiçoar a todas elas, como vocês podem conferir.
As pitangueiras carregadas me fazem voltar à infância e lembrar das margens do Ribeirão Açoita Cavalos, onde eu vivia colhendo pitangas e guabirobas.

Ai Que Fome

“Uma das sedes de nostalgia da infância, e das mais profundas, é o céu da boca. A memória do paladar recompõe com precisão instantânea, através daquilo que comemos quando meninos, o menino que fomos. O cronista, se fosse escrever um livro de memórias, daria nele a maior importância à mesa de família, na cidade de interior onde nasceu e passou a meninice. A mesa funcionaria como personagem ativa, pessoa da casa, dotada do poder de reunir todas as outras, e também de separá-las, pelo jogo de preferências e idiossincrasias do paladar — que digo? Da alma, pois é no fundo da alma que devemos pesquisar o mistério de nossas inclinações culinárias”.
(Carlos Drummond de Andrade)

Nesta crônica o poeta Drummond ressalta o que se pode chamar de memória do paladar. Você já parou para pensar nos sabores experimentados há muitos anos, durante a sua infância? Já percebeu que no mais das vezes aqueles sabores são impossíveis de serem novamente alcançados?

Eu, por exemplo, adoro sanduíche de mortadela. Nos escaninhos de minha memória há um sanduíche de mortadela inesquecível: o que eu devorava diariamente, durante o recreio do meu primeiro ano escolar em Nova Castilho, lá pelos idos de 1972.

Naquele tempo não existia cantina na escola e nem carrinho de cachorro-quente pelas esquinas. Poucos alunos dispunham de lancheira, a maioria levava uma marmita de comida ou um pequeno farnel, um embornal com frutas da região (macaúba, pitanga, manga, jatobá, guabiroba).

Da fazenda onde eu morava até a escola havia uma distância de mais de quilômetro, não dava para ir almoçar em casa. Na hora do recreio a escola liberava os alunos para irem até em casa ou até os bares e empórios da pequena vila. O preferido era o pequeno armazém de secos e molhados do seu João Careca.

Sobre o pequeno balcão ele abria um pão bengala e enchia de mortadela. Mortadela pura, não havia maionese, catchup e estas outras besteiras a que estamos mal acostumados. Custava trinta centavos de cruzeiro e com os outros vinte da moeda de cinqüenta centavos que papai me dava todas as manhãs, eu comprava um guaraná Cotubaína. A moeda de cinqüenta centavos era comumente chamada de Quinhentão.

Ai que delícia! As febres de fast-food, as multinacionais de alimentos jamais foram capazes – ao menos para mim – de igualar o sabor do sanduíche de mortadela do João Careca, mesmo depois de décadas. De vez em quando ainda me assalta a estranha vontade de voltar ao local e pedir à Dona Hilda, esposa do seu João, que me prepare outro daqueles.

Por volta do terceiro ano mamãe achou que eu não devia mais comer sanduíches no recreio, mas eu não gostava da merenda escolar, umas sopas de gostos sofríveis, e passei a levar para a escola uma refeição completa num pequeno caldeirão com a tampa amarrada por um guardanapo de pano.

Minha salvação foi dona Delvina Pereira do Nascimento, cozinheira da escola que gentilmente mantinha minha marmita sobre a chapa do fogão à lenha, para que na hora do recreio a refeição ainda guardasse a quentura e o sabor.

Depois que me mudei para a cidade me tornei mais um alegre refém dos hábitos alimentares que os vendedores ambulantes proporcionavam à garotada.

Sei de gente que até hoje não se esquece da pipoca com molho de pimenta do seu João Lara. Por muitos anos a diversão da garotada nos finais de semana – e depois da missa do sábado à noite - era ir até a Praça da Matriz para experimentá-la. Não me esqueço que depois de receber o nosso dinheiro seu João enfiava a mão no bolso da calça para guardar a nota ou buscar algum troco e o braço dele praticamente desaparecia dentro do bolso. Acho que ele guardava o dinheiro no joelho.

Quem não se lembra com saudade do suco que seu João Barulho vendia nos finais de semana, especialmente nas tardes de domingo lá no Estádio Paulo Possetti? Era um suco de groselha, daqueles mais simples, artificiais, mas era uma delícia principalmente porque seu João era uma figura rara. O carrinho sobre rodas tinha uma manivela na tampa, através da qual se bombeava o suco para o copo. E enquanto ia tingindo de vermelho a língua da molecada ele aproveitava o tempo para gritar com os jogadores à beira do alambrado, ou xingar o juiz.

Os queijos do seu Maçu também devem ter ficado na memória de muita gente, tinha ele um rol de clientes fiéis que não ficavam uma semana sem renovar o estoque. Vivia pelas ruas carregando pelo braço uma pequena cesta da taquara. A todo mundo que avistava inquiria com voz retumbante e forte sotaque baiano:

- Vai queijo, menino?

Dona Angelina de Souza também deve estar no imaginário daqueles que experimentaram de seus quitutes e salgados. Todas as tardes ela enchia uma grande cesta de alumínio com muitas delícias e botava os filhos (Ana Lúcia e Zezé) a percorrer firmas e repartições públicas da cidade. À determinada hora da tarde todo mundo ficava de olho na esquina esperando para socorrer os reclamos da fome. Viúva desde muito cedo, dona Angelina lutou contra muitas dificuldades para criar e educar os filhos e como fomos vizinhos, sou testemunha do quanto ela trabalhou fabricando e vendendo salgados.

Minha adolescência salgadense também foi marcada pelos campeonatos de férias do Salgadense Esporte Clube, especialmente os de futebol de salão. A cidade toda se movimentava para freqüentar os jardins do clube que naquele tempo eram bastante arborizados, havia arquibancadas para os torcedores.

A garotada gostava de assistir aos jogos, mas gostava mais ainda das guloseimas vendidas no local. Os irmãos Leta e Nei Gordo carregavam um enorme tambor de lata recheado de beijus cuja tampa trazia uma espécie de roleta. A gente rodava a roleta na possibilidade de pagar um e levar dois e ficava a noite inteira tentando esvaziar aquele latão cheio de delícias.

Pagode era outro vendedor ambulante que a garotada adorava. De dia vendia picolés pelas ruas da cidade e se fazia anunciar soprando uma barulhenta gaitinha de boca. À noite vendia amendoim torrado nas dependências do Clube.

O creme do seu Jamil Padeiro era outra guloseima que atiçava a garotada, que quando avistava sua charrete verde circulando pelas ruas saía correndo atrás. Depois surgiu o sorvete do Gabriel, até hoje considerado um dos melhores da região. Tenho amigos que saem de Auriflama para tomar sorvete em Salgado.

Hoje em dia a cidade tem outros vendedores de delícias, existem novas guloseimas daquelas que não se pode dispensar. Alguns bares e lanchonete fazem churrasquinho nos finais de tarde e tem gente que não vai embora para casa sem antes experimentar um espetinho no ponto. Mas, me desculpem os amigos novatos, eu ainda morro de saudades das iguarias do meu tempo. É uma saudade que jamais vou recuperar.

Ouvi dizer que a idade interfere no paladar. Com o passar dos anos a pessoa perde papilas gustativas, responsáveis pela identificação dos sabores. Então justifico a minha saudade no fato de que jamais vou experimentar aqueles sabores novamente. Ficaram todos naqueles idos da minha infância e adolescência salgadenses.

Para finalizar uma historinha gastronômica.

No final dos anos 70 o Salgadense Esporte Clube promoveu uma gincana e dentre as provas havia uma para escolher o maior glutão da cidade. Mandaram encher uma mesa com comida e mais comida, e o vencedor seria aquele que ingerisse maior quantidade de alimentos.

As equipes buscaram os mais obesos e aparentemente mais esganados, Joaquim Gordo, João Gordo, Anísio Constantino, Joaquim Dourado, para enfrentar a parada. Afinal eram pratos e mais pratos, guloseimas e quitutes esperando serem devorados pelos esfomeados.

De repente, do nada apareceu um sujeito magrelo, esquelético, que morava para os lados do Cachorro Sentado, o distrito de Prudêncio e Morais. Durante a disputa os barrigudos foram parando, empanturrados com a comilança e o magrelo foi comendo pelas beiradas, prato em cima de prato, garfada sobre garfada.

Os gorduchos foram se entristecendo de tanto comer e o magrelo cada vez mais animado. Ninguém acreditava no que via, os bons-de-garfo da cidade foram humilhados por um caipira com cara de palito.

Meia hora depois da prova, as equipes se movimentavam para o cumprimento de outras tarefas e encontraram o campeão do garfo encostado ao balcão da Cantina do Mauro Cruzeiro. Perguntaram-lhe o estava fazendo, alguns pensando que ele aguardava um sal-de-fruta para ajudar na digestão. A resposta surpreendeu todos:

- Estou esperando um sanduíche que eu pedi. Eu moro no Cachorro Sentado e vou embora a pé. Até chegar lá dá uma fome!

Uns mais exaltados com a situação e com a cara-de-pau do sujeito queriam lhe dar uns petelecos.

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Memória 57 (Praça NS das Dores)

Praça N. Sra. das Dores (Anos 1960) - No centro da Praça da Matriz havia um grande espelho d'água (que se vê atrás das fotografadas), e que no final da década de 1970 foi substituído pela fonte.
Ainda não identificamos a primeira moça da esquerda. A segunda é a Professora Maria Antônia Castilho. A terceira também não sabemos quem é. A última é a Professora Kimiko Okuda.
Contribuições para a identificação devem ser enviadas para o nosso EMBORNAL, ou através de mensagem na caixa ao lado.
(foto: Acervo do Cinquentenário da EE Tonico Barão)
(clique na foto para ampliar)

A Aposta

Conto o milagre sem revelar os nomes dos santos.

Acompanhei os preparativos do evento mas não assisti aos finalmentes. Garanto apenas a veracidade do acontecido, que se deu há muitos anos atrás.

Um amigo freqüentava General Salgado com assiduidade, participava das melhores reuniões festivas da nossa turma e teve várias namoradas salgadenses. Certo dia apontou uma garota que não conhecia pessoalmente pedindo informações, perguntou se tinha namorado, essas coisas comuns entre homens.

- É que eu só vejo essa menina sozinha, sem companhia, parece que tem poucos amigos - justificou.

A garota era bonita, mas pouco atraente, meio arredia, até então ninguém a tinha visto namorando ou beijando alguém em público, não havia notícia de que havia namorado alguém conhecido. Estava um pouco adiantada na idade em relação às demais mulheres da turma, mas não fazia parte do nosso grupo, habituado às mesmas reuniões e festas. Pois o meu amigo declarou no meio da roda:

- Eu vou namorar essa menina!

Ninguém acreditou, pensando que se tratava de brincadeira. Chegaram até a dizer, maldosamente, que nem adiantava ele tentar, pois havia comentários de que ela não gostava da coisa. Não havia na frase nenhuma conotação de inversão sexual, coisa rara naquele tempo, apenas se queria dizer que a garota era muito tímida, retraída.

Para surpresa de todos, minutos depois ele foi visto puxando conversa com a moça; alguns dias mais e começou a levá-la em casa; bastaram poucas semanas e o casal desfilava de mãos dadas. Ninguém acreditava no que via. E ele ali, firme, fazendo o papel de apaixonado. Perdoem-me as feministas de plantão, mas é a pura verdade.

Não sei se as mulheres sabem, mas papo de homem é muito machista. Conversa de botequim então, só trata de mulher: quem está namorando quem; quem está saindo com quem; qual é a mulher mais gostosa da cidade; quais as promessas da próxima safra feminina; esse tipo de coisa o tempo todo.

Durante semanas a dúvida que rolava na turma era até onde o nosso amigo já tinha conseguido avançar com a moça, se ainda estava nas preliminares ou já tinha chegado às vias-de-fato. Para sanar a dúvida geral colocaram-no contra a parede:

- Conte aí, ela gosta ou não gosta da coisa?

Descarado gozador, o danado não só contou que ela adorava como revelou outros detalhes.

- A única coisa que ainda não aconteceu foi sexo oral, mas aposto com quem quiser que vai ser hoje!

Um dos presentes duvidou e aceitou a aposta:

- Eu acho que você está mentindo. Aposto que ainda não conseguiu nada. Pago três caixas de cerveja se você conseguir, mas eu tenho que ver para acreditar!

Surpreendendo mais uma vez, o apaixonado aceitou o desafio, incluindo o fato de que a cena deveria ser assistida pelos demais. Formou-se uma comissão para fiscalizar a aposta.

Altas horas da noite os membros da comissão estacionaram um carro nas proximidades da casa da moça e ficaram imóveis, ocultados pela escuridão que reinava sob uma frondosa árvore.

Minutos depois o carro do casal parou defronte a casa, com a frente voltada para o outro automóvel, mas numa distância que impedia revelar a presença dos fiscais no interior daquele veículo.

Na madrugada do mesmo dia os apostadores e mais um grupo de amigos beberam - juntos - três caixas de cerveja.

Adivinhem quem pagou!

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Outras do Vande

Vande Mendonça, personagem de outras histórias já contadas aqui, trabalhou por muito tempo na Destilaria Generalco. Colocaram-no para trabalhar logo na portaria, como balanceiro, pesando e conferindo os caminhões que chegavam para a descarga de cana.

Como todos os que chegavam ao local passavam pelo seu departamento, ninguém escapava de suas piadas e gozações. Tinha tanto talento para tiradas e observações sarcásticas que não perdoava ninguém.

De certa vez fomos pescar no sítio do amigo Vando Colombo, perto de Nova Palmira. Desde que pôs os pés no local o danado não parou de brincar com todos do local, especialmente a mãe do Vando, dona Yolanda. Chegou a ponto de fingir uma dor no ombro dizendo que havia quebrado algo. Quando ela perguntou se não seria a clavícula, ele não perdeu a deixa:

- Não, quebrei a alça do sutiã!

Depois da pescaria nos sentamos à mesa para saborear a peixada, todos se serviram e ele ficou olhando para a imensa vasilha com os peixes, perguntando aos demais:

- Mas vocês vão comer só isso?

- Só isso porque? – alguém respondeu – veja o tanto de peixe que tem na panela!

Ele segurou a vasilha de peixes e derramou por sobre seu próprio prato, mostrando a panela vazia aos demais:

- Agora não tem mais!

Não é preciso dizer que ele devorou a montanha de peixes que juntou no próprio prato.

Na Generalco adorava aprontar com os caminhoneiros, fazendo piadas de todos os gêneros. Mas mesmo os passantes e viajantes que por lá apareciam não escapavam de suas troças.

Certo dia um carro parou defronte ao portão, na beira da rodovia. Desceu um senhor grisalho, dando mostras de não saber bem por onde andava. Chegou-se na portaria e perguntou ao Vande:

- Moço, essa estrada vai para Fernandópolis?

Ele coçou a cabeça, olhou bem sério para o viandante e não perdeu a oportunidade:

- Se vai eu não sei, mas se for vai ficar fazendo uma falta danada pra Salgado!

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Memória 56 (Lau Mendonça)

Família Mendonça (1964) - Valmick, Vandenir, Vladimir (Banana), Wanda e Walcyr Mendonça, com os pais Rosalina e Laudelino Mendonça. Ainda não haviam nascido as irmãs Vânia e Valéria.
(foto: Álbum da Família Mendonça)

A Morte de Tonico Barão

O carreiro Bento Barbosa havia levantado muito cedo naquele dia, atrelado os animais ao carro-de-bois e tomado o caminho da Macaúba Velha, como era conhecido o povoado que depois passou a chamar-se Vicentinópolis.

Incumbia-lhe buscar um carro de milho.

Ao deixar o pequeno vilarejo de Nova Castilho o horizonte começava a mostrar os primeiros raios de sol que se apresentavam para iluminar mais aquele dia de labuta.

O velho Bento vinha desatento pelo caminho, os bois conheciam bem o rumo a seguir. Logo alcançaria a Olaria da Paula, onde muitos carreiros buscavam tijolos e telhas para vender na região. Naquela época o interior paulista se havia enchido de desbravadores e muitos vilarejos surgiam, demandando grande quantidade de material de construção.

O dia já se mostrava por inteiro quando o velho carreiro tomou um susto. Os bois da guia refugaram num repente, obrigando o condutor a juntar forças para estancar a marcha.

Numa primeira observação avistou dois cavalos arreados, amarrados a uma cerca. Ao descer do carro para melhor observar, o susto redobrou: tombados à margem da estrada havia dois corpos ensangüentados.

Um deles tinha um ferimento na boca; o outro tinha o braço decepado. Só depois de atentar bem para a cena foi que identificou os mortos: o carpinteiro Chico Lobo e o fazendeiro Tonico Barão.

Antonino José de Carvalho, conhecido como Tonico Barão, provinha de uma família de fazendeiros de Barretos. Em 1928 adquiriu terras no município de Monte Aprazível, numa região compreendida entre os Rios Tietê e São José dos Dourados, conhecida como Pau Ferrado ou Fazenda Limoeiro.

Com o passar dos anos foi adquirindo e tomando posse de outras áreas de terras. Era um homem rude que, na ânsia de expandir seus domínios angariou diversos inimigos. Os conflitos pela posse da terra alastraram-se.

Em meados de 1928 escolheu uma área e deu início a um pequeno povoado que recebeu o nome de Palmira, nome de sua filha. O Padre Missionário Jorge Germeinder celebrou a primeira missa no vilarejo, no local onde se ergueu um cruzeiro e, em 1936 surgiu a primeira igreja. Palmira pertencia ao antigo distrito de Paz de Sebastianópolis, no município de Rio Preto, hoje São José do Rio Preto, e foi elevada a categoria de Vila em 05 de dezembro de 1928.

No início dos anos 30 os moradores da região fizeram um mutirão para desmatar e expandir a área reservada para a construção de casas, em face do aumento do número de moradores.

Em 7 de janeiro de 1937, quando a sede do distrito de Paz de Sebastinópolis foi transferida para Vila Palmira, já se podia dizer que ali existia uma pequena cidade.

O decreto lei que regulamentou a transferência deu-lhe a denominação de General Salgado, em homenagem ao General Júlio Marcondes Salgado morto na revolução de 1932.

Francisco Lobo era carpinteiro, fazedor de cercas, porteiras e currais. Desentendeu-se com o fazendeiro dizendo ter sido desapossado de uma área de terras que adquirira. Remoeu por vários meses o desentendimento dizendo ter sido enganado. Narrou detalhadamente o desacerto para o pioneiro Firmino Luiz Marques, contando-lhe o desapreço que nutria pelo desbravador.

De certa feita, quando prestava serviços de carpintaria na fazenda de Firmino, foi visto pelo fazendeiro amolando um facão numa grande pedra de amolar; pedra essa, inclusive, que cheguei a conhecer muitos anos depois. Nela amolei meus primeiros canivetes antes de alcançar dez anos de idade.

Quando inquirido sobre o tamanho da arma, não se fez de rogado:

- Desse aqui aquele ladrão não escapa...

O menino Wilson Gonçalves, filho adotivo do bisavô Firmino contava aproximadamente 12 anos de idade no dia em que assistiu a cena em que o carpinteiro jurou de morte o fundador da cidade.

Pouco tempo decorreu entre o diálogo com Firmino e o fatídico final encontrado pelo carreiro Bento Barbosa. Nunca se soube ao certo o que aconteceu entre os dois.

Da cena encontrada entendeu-se que Chico Lobo cercou Tonico Barão na estrada e o ameaçou com o facão. O fazendeiro acertou-lhe um tiro na boca e recebeu, em contrapartida, pesado golpe contra o braço que empunhava a arma.

A força do golpe foi capaz de amputar o membro. O carpinteiro ainda conseguiu desferir outro golpe que atingiu o abdome do oponente. Mortalmente atingidos, não resistiram aos ferimentos.

Tonico Barão foi sepultado em Barretos, Chico Lobo em Nhandeara.

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Memória 55 (Touradas)

Zé do Braz e Domingos de Almeida (passando por debaixo da vaca)

Nova Castilho - Fazenda de João Firmino Marques

Nova Castilho - Aristides Garcia, Domingos de Almeida e Zé do Braz, um dos trios que representava Nova Castilho.

Aristides Garcia e Zé do Braz

Nos anos 1970 as escolas do município passaram a organizar touradas para arrecadar fundos. A cada final de semana uma fazenda era escolhida. Prêmios simbólicos eram arrecadados no comércio salgadense para incentivar os participantes. Os toureiros eram inscritos em trios, que normalmente representavam distritos ou fazendas. O gado era fornecido pelo proprietário da fazenda onde se realizava o evento. Grande público prestigiava as reuniões.
Alguns toureiros que se destacavam: Zé do Braz, Domingos de Almeida, Aristides Garcia, Preto Cornélio, Antonio Branco, Waldemar Marques, Edson de Brito, Claudenir Marques, Iaucir Marques.
Depois de vários meses um acidente fez com que as promoções fossem interrompidas. Numa tourada na fazenda do Dr. Kleber Sales, em Nova Palmira, uma vaca se chocou violentamente contra uma tábua do curral, que se partiu e atingiu o espectador José Desidério Fernandes, causando-lhe fratura de uma perna. Por complicações decorrentes da cirurgia a que foi submetido, o comerciante veio a falecer.
(fotos: Álbum do Blogueiro)


Peão Inconformado

Tio Odilon Rodrigues foi por muitos anos administrador da Fazenda Santa Catarina, no Córrego do Lajeado. Certa vez contratou, para a lida do gado, um peão apelidado de Barranco.

Depois de uns meses morando na Fazenda o funcionário pediu uma carona até Auriflama, pretendia visitar a mãe que era viúva, morava sozinha. Chegando à cidade, Odilon parou a camionete na frente da casa e avisou que ia aguardar o término da visita:

- Não precisa ter pressa, eu fico esperando.

O rapaz entrou na casa e, menos de trinta segundos depois montou na camionete de novo. Lívido, com o rosto entre as mãos e exclamando:

- Não conformo, não conformo, não conformo! A mãe não podia fazer isso comigo! Não conformo, não conformo, não conformo!

Preocupado o patrão insistiu com o peão, querendo saber o que havia acontecido, pois a visita sequer acontecera. Ele nada respondia, apenas repetia:

- Não conformo, não conformo, não conformo!

Com jeito foi acalmando o rapaz até que ele se armou de coragens e revelou a cena que encontrou ao abrir a porta de casa:

- Peguei um caboclo namorando a mãe no sofá da sala, seu Dilo. Ela não podia ter feito isso comigo. Não conformo, não conformo, não conformo!

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Memória 54 (Nova Castilho, 1974)

Nova Castilho (1974) - Cal, Marco Antonio Barbosa, Ulisses Barbosa e Cleber de Almeida. Agachados: Alecindo Barbosa Junior, Cleire de Almeida e Claudia Maria de Almeida.
O troféu e a capa vermelha representam a vitória do trio de Nova Castilho, Domingos de Almeida, Aristides Garcia e Zé do Braz, numa tourada organizada para arrecadar fundos para as escolas do município.
(foto: Álbum do blogueiro)

Zé das Vacas

O compadre Alecindo Barbosa Junior é salgadense, nativo de Nova Castilho assim como eu. Crescemos juntos e quando me mudei para Salgado ele se mudou para Araçatuba, onde nos encontramos anos mais tarde.

Mais de trinta anos de convivência e amizade fraterna foram mais do que sacramentados quando batizei Gabriela, filha dele e de Sandra Padovan. Gabriela forma, com o salgadense Carlos Henrique Godoy e meu sobrinho dracenense Tiago Almeida Beretta, um trio de afilhados queridos.

No tempo da nossa infância criança só ganhava presente em duas oportunidades: Aniversário e Natal. Em casa, por exemplo, quando pretendíamos que o Papai Noel nos trouxesse um presente melhorzinho, mais caro, tínhamos que juntar as quotas e pedir um único presente para os quatro.

Era uma boa diversão contar entre os amigos o que é que a gente ia ganhar. Num dia de congraçamento das famílias começamos a conferir o que viria no próximo fim de ano: Ulisses ia ganhar o primeiro relógio; Marcos, assim como eu e meu mano Cleber, um Forte-Apache; as meninas, Leda, Claudia e Cleire, como sempre, bonecas. Quando chegou a vez do Junior ele avisou:

- Eu quero um cavalo!

Ninguém entendeu nada. Um cavalo? Então nos demos conta que o meu futuro compadre realmente adorava cavalos, vivia filando passeios e garupas pelas ruas do vilarejo. Não podia ver passar um cavaleiro que pedia uma voltinha. Seu pai tentou desviar a idéia: escolhe outra coisa! Mas ele não arredou o pé:

- Ou um cavalo ou nada!

A partir desse dia todos davam como certos os presentes escolhidos, menos o Junior. Quando perguntado, dizia que tinha pedido um cavalo, mas como não havia jeito de receber o presente escolhido, preferia não ganhar nada.

Na manhã do dia 25 os irmãos acordaram, correram para abrir os presentes e ele ficou na cama. Os pais entraram no quarto escuro e avisaram:

- Nós compramos um presentinho para você não ficar sem nada!

E ele, com a cabeça debaixo do travesseiro, meio choroso, refugava.

- Levanta e abre a janela pra você ver o que é.

A contragosto ele destravou as folhas da janela e encontrou, no corredor lateral da casa, uma surpresa: um cavalo baio, arreado e com todos os apetrechos possíveis. Dali mesmo pulou a janela, subiu no potro e saiu andando pelas ruas da povoação. Mais feliz impossível.

Quando o pessoal do vilarejo viu que ele não desmontava por nada, vivia o dia todo trajado de peão e esfolando o traseiro, colocaram-no o apelido de Zé das Vacas que era o nome de um peão meio doido que havia morado em Nova Castilho anos antes, e também quase não apeava da montaria.

Como o seu Alecindo ainda não tinha aonde deixar o cavalo, tio João Firmino autorizou que o animal vivesse num piquete da Fazenda, cuja porteira, naquele tempo, ficava praticamente dentro da cidade, onde hoje é a esquina da Rua Sete de Setembro com a Rua Santo Antonio.

Junior morava em frente ao Bar do João Careca. E fazia questão de todos os dias ir a cavalo para a escola.

Andava cinqüenta metros a pé, arreava o cavalo, montava e cavalgava outros cinqüenta metros até a escola!

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

Memória 53 (Instalação)

Marcelo Cândido Pereira - O famoso Instalação aparece com os irmãos Mário e Mariene, os pais João Cândido Pereira e Elena Marques Pereira, e avós maternos Benta Faria Marques e João Norberto Marques.
(foto: Álbum da Família Marques)

Instalação

Em dezembro de 2004, num acidente automobilístico acontecido nas proximidades de Magda, a cidade perdeu um de seus personagens mais folclóricos: Marcelo Cândido Pereira, o famoso Instalação.

Neto de João Norberto Marques, ele assimilou o linguajar típico de mineiro que o avô herdou do pai Norberto Marques, o Berto Mineiro, um dos pioneiros do Noroeste Paulista.

A perda de Marcelo deixou entristecida e inconformada uma grande legião de amigos, conquistada com seu jeito simplório e amistoso de falar e agir, principalmente pelas situações cômicas em que se envolveu, sempre fazendo rir aqueles que o rodeavam.

Era sempre o maior incentivador da turma para os principais eventos festivos na região, como bailes e festas do peão.

Certa vez pretendia levar alguns amigos a uma festa em Valentim Gentil. O caminho mais curto é uma estrada de terra que se inicia no trevo de Magda. Depois de tomar as preliminares, saíram de Salgado por volta da meia-noite. Saindo de Magda pegaram a estrada errada e entraram num canavial da Companhia Inglesa. Por algum tempo rodaram perdidos no meio de 800 alqueires de cana até que conseguiram sair em São João de Iracema. O Instalação animou-se:

- Agora a gente chega na festa rapidinho.

Olharam para o relógio: 4:00 horas da matina.

Era proprietário de um Fiat 147 marrom que ficou famoso na cidade. Numa ocasião todos queriam ir para Auriflama, mas ele era o único motorizado da noite.

- Tem um problema! - ele disse. Meu carro tá sem a barra do câmbio. Vamos ver o que dá pra fazer.

Entrou em casa, vasculhou um quartinho de badulaques e apareceu trazendo um pedaço de cano no qual havia uma torneira na ponta. Encaixou o cano no câmbio e seguiram viagem. O motorista trocava as marchas agarrado na torneira. Ficou tão bom que ele usou a peça por uns 6 meses.

Meses depois, retornando na companhia de Rogério Gabriel de uma festa em Santa Fé do Sul, perdeu a direção e chocou-se com um ônibus de trabalhadores rurais. O Fiat capotou e foi parar no meio do mato. Rogério conseguiu sair do carro e ouviu o companheiro gemendo no interior do veículo: Ai! Ai! Ai!

- Que foi Instalação? Você tá machucado?

- Ai, ai, meu Deus do céu, será que meu carro ainda vale uns quinhentos?

O vereador Aricê Silva viajou com a família e o deixou tomando conta da casa. Na garagem ficou uma pick-up Fiat bem antiga que o Aricê usava para ir ao sítio. Era praticamente uma peça de estimação.

Fim de noite sem muito movimento na cidade, de repente surgiu a notícia de que tinha acontecido um acidente na rodovia. Depois de alguma resistência a turma o convenceu a levá-los até o local com a pick-up do Aricê. Lá chegando se desentenderam com o policial rodoviário, que insistia para que todos fossem embora, pois estavam atrapalhando o atendimento da ocorrência. Quando o policial perdeu a paciência, pediu os documentos da pick-up.

O Aricê rodou com aquela picapinha durante uns 15 anos e nunca lhe pararam numa blitz. Quando retornou da viagem, descobriu que o veículo tinha sido apreendido pela polícia justamente no único dia em que o Instalação havia saído com ela.

De outra vez a turma foi passar o dia em Rio Preto. Emendaram no boliche por umas três horas e depois ainda foram a uma pizzaria. Pagas as contas, ninguém mais tinha um tostão no bolso. Na volta, perto de Nhandeara o carro do Instalação apagou: acabou a gasolina!

Ficaram no mato sem cachorro. Tarde da noite, tanque vazio e todo mundo duro. De repente ouviram o Instalação falando ao telefone:

- Se você não vier aqui agora, eu te mato!

Dez minutos depois encostou um automóvel, uma moça abaixou o vidro e estendeu 10 reais para ele, que repassou o dinheiro para a turma e avisou:

- Podem ir embora com o meu carro que eu vou ficar! – e embarcou no carro da moça.

Só apareceu na cidade uns dois dias depois e quando a turma se reuniu para dar risada do acontecido ele se justificou:

- Viu só como é bom a gente ter umas namoradinhas escondidas por aí...

Outra façanha aconteceu na festa de aniversário de Helô Almada, em São Paulo. A aniversariante fez questão de convidar um grande grupo de salgadenses. Festa chique, gente bonita e muita bebida, ele não economizou, entornou todas. Altas horas alguém comentou:

- Acho que o Instalação nem sabe onde está mais, de tão bêbado!

Resolveram fazer um teste:

- Ô Instala, vamos sair daqui! Vamos à boate em Auriflama?

- Você acha que eu sou tonto de sair daqui da Boate Calypso em Araçatuba, com esse monte de mulher bonita e ir pra Auriflama?

Num dos bailes da região os amigos testemunharam quando ele arrumou uma namorada e sumiu. Só voltou quando o dia clareava. Durante o retorno à cidade narrou sua conquista, dizendo que havia conhecido a menina e, dez minutos depois, tinha conseguido levá-la para o carro. Um dos amigos falou sério:

- Você usou camisinha?

- Eu não! Na hora do vamo-vê nem deu tempo de pensar nisso!

- Mas Instalação, você é louco? Você transa sem camisinha com uma menina que você nem sabe quem é?

- Ué! Mas ela também não sabe quem eu sou!!!

Tempos depois, no retornou de outro baile ele desmaiou no banco traseiro enquanto os dois companheiros conversavam para espantar o sono e narrar as aventuras da noite.

- Saí com uma moreninha - disse um - levei pro carro e só depois vi que não tinha trazido camisinha. Deu um trabalho danado pra convencer ela a transar sem. Fiquei meio desconfiado depois...

- Desconfiado por quê? – perguntou o outro. Ela tinha cara de sem-vergonha?

- Um pouco, mas acho que não era puta não. Ela até chorou...

Num salto ele se pôs sentado no banco traseiro para advertir o amigo:

- Rapaz, as putas são as que mais choram!


(Aqui tem outras histórias do Instalação).

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Memória 52 (EE Tonico Barão)

EE Tonico Barão (Anos 1980) - Edson Constantino, Adriana Ribeiro, Fernando, Amauri Pelarin, Marli Cardoso, Adriana Haidê, Rosângela Matos, Cacilda Giamatei, Teber Marques, Claudia Vieira, Élio de Freitas e Carlos José de Oliveira (Negão).
Élio de Freitas auxiliou na identificação dos retratados. Sivone Constantino do Prado esclareceu a dúvida que surgiu entre Teber e Esquisito.
(foto: Acervo do Cinquentenário da EE Tonico Barão, clique na foto para ampliar)

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

Um Dedo de Prosa - 3

Além de muitos salgadenses esparramados pelo mundo, esta nossa prosa também costuma atrair a atenção de visitantes eventuais.

Exemplo disso é uma mensagem que recebi por e-mail, ainda quando nossas crônicas eram publicadas no site oficial da cidade, e que, pelo conteúdo e significância, merece registro:

“Moro em São Paulo e costumava pescar em Pereira Barreto e sempre passei às pressas pelo trevo de General Salgado, até que um tio de minha esposa comprou uma fazenda, hoje chamada São Luiz, a antiga fazenda do Grupo Ultra.

Sou gaúcho, nascido em Guaíba, que no meu tempo era uma cidade pequena e provinciana, e como todo interiorano, que pelos rumos da vida acaba parando em cidade grande, sofro de nostalgia e saudades.

Gosto muito do interior de São Paulo e me identifiquei muito com General Salgado, onde costumo passar pelo menos duas semanas por ano. Por curiosidade busquei na internet algo sobre a cidade e encontrei o site que você escreve semanalmente.

Confesso que os contos que você escreve, os quais leio às sextas-feiras, me fazem viajar aos meus dias de menino, ou guri como se diz no Sul, bate uma saudade, meus olhos enchem de lágrimas e devoro cada linha.

Admiro a forma como você escreve e o orgulho que você tem de escrever sobre os prazeres simples e impagáveis da vida, como o conto desta semana. Este orgulho que todo caipira carrega no peito e que poucos mostram, alguns por vergonha de serem taxados de caipiras, outros por quererem estar inseridos nas modernidades dos citadinos.

Como forma de protesto velado, o protesto silencioso, às sextas-feiras venho ao escritório de botas, calça jeans e cinto com fivelão, o que ocasionou um fato curioso: na primeira vez que o pessoal me viu vestido desta maneira, a gozação foi geral, como “perdeu o trem pra roça”, “acabou a liquidação de enxadas”, “o rodeio é em Barretos” e outros tantos.

O tempo foi passando, as sextas-feiras se acumulando e a cada semana chegava um e perguntava: “Sabe, nasci em Araraquara e sempre gostei de botas, onde você comprou a sua?”. Ou então, “Puxa vida, onde você arranjou esta fivela? É que vou para Bauru na casa dos meus pais e queria levar uma lembrança para meu irmão”.

Hoje, a caipirada toda troca figurinhas sobre onde comprar o CD do Teodoro e Sampaio, se chegou novo modelo de bota em tal loja e tudo o mais. A turma do chapéu cresceu de tal forma que estamos pensando em organizar uma festa onde o traje obrigatório seja o de caubói, abrasileirado assim mesmo.

Mesmo morando em São Paulo, faço de tudo para manter as raízes, a chama acesa e o espírito rural. E tenho a obrigação de lhe dizer que você tem uma participação muito grande neste resgate, apesar de sentir-me tragado pelas obrigações, mastigado pela massa de cimento e asfalto, engolido pela poluição e pelo mar de carros, tenho mais um motivo para sorrir: hoje é sexta-feira e o Carlos tem mais um conto para eu ler!!!

Saio do escritório mais leve, mais disposto, ponho Tonico e Tinoco no som do carro e encerro a semana. Feliz.

Há muito tempo eu li na revista Globo Rural um verso, que diz tudo:
“Saudade é uma dor que dá, mais num é dor de doê.
É vontade de alembrá, cum vontade de esquecê,
É uma dor de dentro e machuca, e onde dói ninguém vê.
E a gente pega e catuca, pra num dexá de doê”.

Parabéns pela iniciativa. Um grande abraço e que Deus lhe abençoe.
Daniel Albrecht”


Mais uma vez registramos nossos sinceros agradecimentos ao Daniel e a todos aqueles que prestigiam esta página com suas visitas.