segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Memória 54 (Nova Castilho, 1974)

Nova Castilho (1974) - Cal, Marco Antonio Barbosa, Ulisses Barbosa e Cleber de Almeida. Agachados: Alecindo Barbosa Junior, Cleire de Almeida e Claudia Maria de Almeida.
O troféu e a capa vermelha representam a vitória do trio de Nova Castilho, Domingos de Almeida, Aristides Garcia e Zé do Braz, numa tourada organizada para arrecadar fundos para as escolas do município.
(foto: Álbum do blogueiro)

Zé das Vacas

O compadre Alecindo Barbosa Junior é salgadense, nativo de Nova Castilho assim como eu. Crescemos juntos e quando me mudei para Salgado ele se mudou para Araçatuba, onde nos encontramos anos mais tarde.

Mais de trinta anos de convivência e amizade fraterna foram mais do que sacramentados quando batizei Gabriela, filha dele e de Sandra Padovan. Gabriela forma, com o salgadense Carlos Henrique Godoy e meu sobrinho dracenense Tiago Almeida Beretta, um trio de afilhados queridos.

No tempo da nossa infância criança só ganhava presente em duas oportunidades: Aniversário e Natal. Em casa, por exemplo, quando pretendíamos que o Papai Noel nos trouxesse um presente melhorzinho, mais caro, tínhamos que juntar as quotas e pedir um único presente para os quatro.

Era uma boa diversão contar entre os amigos o que é que a gente ia ganhar. Num dia de congraçamento das famílias começamos a conferir o que viria no próximo fim de ano: Ulisses ia ganhar o primeiro relógio; Marcos, assim como eu e meu mano Cleber, um Forte-Apache; as meninas, Leda, Claudia e Cleire, como sempre, bonecas. Quando chegou a vez do Junior ele avisou:

- Eu quero um cavalo!

Ninguém entendeu nada. Um cavalo? Então nos demos conta que o meu futuro compadre realmente adorava cavalos, vivia filando passeios e garupas pelas ruas do vilarejo. Não podia ver passar um cavaleiro que pedia uma voltinha. Seu pai tentou desviar a idéia: escolhe outra coisa! Mas ele não arredou o pé:

- Ou um cavalo ou nada!

A partir desse dia todos davam como certos os presentes escolhidos, menos o Junior. Quando perguntado, dizia que tinha pedido um cavalo, mas como não havia jeito de receber o presente escolhido, preferia não ganhar nada.

Na manhã do dia 25 os irmãos acordaram, correram para abrir os presentes e ele ficou na cama. Os pais entraram no quarto escuro e avisaram:

- Nós compramos um presentinho para você não ficar sem nada!

E ele, com a cabeça debaixo do travesseiro, meio choroso, refugava.

- Levanta e abre a janela pra você ver o que é.

A contragosto ele destravou as folhas da janela e encontrou, no corredor lateral da casa, uma surpresa: um cavalo baio, arreado e com todos os apetrechos possíveis. Dali mesmo pulou a janela, subiu no potro e saiu andando pelas ruas da povoação. Mais feliz impossível.

Quando o pessoal do vilarejo viu que ele não desmontava por nada, vivia o dia todo trajado de peão e esfolando o traseiro, colocaram-no o apelido de Zé das Vacas que era o nome de um peão meio doido que havia morado em Nova Castilho anos antes, e também quase não apeava da montaria.

Como o seu Alecindo ainda não tinha aonde deixar o cavalo, tio João Firmino autorizou que o animal vivesse num piquete da Fazenda, cuja porteira, naquele tempo, ficava praticamente dentro da cidade, onde hoje é a esquina da Rua Sete de Setembro com a Rua Santo Antonio.

Junior morava em frente ao Bar do João Careca. E fazia questão de todos os dias ir a cavalo para a escola.

Andava cinqüenta metros a pé, arreava o cavalo, montava e cavalgava outros cinqüenta metros até a escola!

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

Memória 53 (Instalação)

Marcelo Cândido Pereira - O famoso Instalação aparece com os irmãos Mário e Mariene, os pais João Cândido Pereira e Elena Marques Pereira, e avós maternos Benta Faria Marques e João Norberto Marques.
(foto: Álbum da Família Marques)

Instalação

Em dezembro de 2004, num acidente automobilístico acontecido nas proximidades de Magda, a cidade perdeu um de seus personagens mais folclóricos: Marcelo Cândido Pereira, o famoso Instalação.

Neto de João Norberto Marques, ele assimilou o linguajar típico de mineiro que o avô herdou do pai Norberto Marques, o Berto Mineiro, um dos pioneiros do Noroeste Paulista.

A perda de Marcelo deixou entristecida e inconformada uma grande legião de amigos, conquistada com seu jeito simplório e amistoso de falar e agir, principalmente pelas situações cômicas em que se envolveu, sempre fazendo rir aqueles que o rodeavam.

Era sempre o maior incentivador da turma para os principais eventos festivos na região, como bailes e festas do peão.

Certa vez pretendia levar alguns amigos a uma festa em Valentim Gentil. O caminho mais curto é uma estrada de terra que se inicia no trevo de Magda. Depois de tomar as preliminares, saíram de Salgado por volta da meia-noite. Saindo de Magda pegaram a estrada errada e entraram num canavial da Companhia Inglesa. Por algum tempo rodaram perdidos no meio de 800 alqueires de cana até que conseguiram sair em São João de Iracema. O Instalação animou-se:

- Agora a gente chega na festa rapidinho.

Olharam para o relógio: 4:00 horas da matina.

Era proprietário de um Fiat 147 marrom que ficou famoso na cidade. Numa ocasião todos queriam ir para Auriflama, mas ele era o único motorizado da noite.

- Tem um problema! - ele disse. Meu carro tá sem a barra do câmbio. Vamos ver o que dá pra fazer.

Entrou em casa, vasculhou um quartinho de badulaques e apareceu trazendo um pedaço de cano no qual havia uma torneira na ponta. Encaixou o cano no câmbio e seguiram viagem. O motorista trocava as marchas agarrado na torneira. Ficou tão bom que ele usou a peça por uns 6 meses.

Meses depois, retornando na companhia de Rogério Gabriel de uma festa em Santa Fé do Sul, perdeu a direção e chocou-se com um ônibus de trabalhadores rurais. O Fiat capotou e foi parar no meio do mato. Rogério conseguiu sair do carro e ouviu o companheiro gemendo no interior do veículo: Ai! Ai! Ai!

- Que foi Instalação? Você tá machucado?

- Ai, ai, meu Deus do céu, será que meu carro ainda vale uns quinhentos?

O vereador Aricê Silva viajou com a família e o deixou tomando conta da casa. Na garagem ficou uma pick-up Fiat bem antiga que o Aricê usava para ir ao sítio. Era praticamente uma peça de estimação.

Fim de noite sem muito movimento na cidade, de repente surgiu a notícia de que tinha acontecido um acidente na rodovia. Depois de alguma resistência a turma o convenceu a levá-los até o local com a pick-up do Aricê. Lá chegando se desentenderam com o policial rodoviário, que insistia para que todos fossem embora, pois estavam atrapalhando o atendimento da ocorrência. Quando o policial perdeu a paciência, pediu os documentos da pick-up.

O Aricê rodou com aquela picapinha durante uns 15 anos e nunca lhe pararam numa blitz. Quando retornou da viagem, descobriu que o veículo tinha sido apreendido pela polícia justamente no único dia em que o Instalação havia saído com ela.

De outra vez a turma foi passar o dia em Rio Preto. Emendaram no boliche por umas três horas e depois ainda foram a uma pizzaria. Pagas as contas, ninguém mais tinha um tostão no bolso. Na volta, perto de Nhandeara o carro do Instalação apagou: acabou a gasolina!

Ficaram no mato sem cachorro. Tarde da noite, tanque vazio e todo mundo duro. De repente ouviram o Instalação falando ao telefone:

- Se você não vier aqui agora, eu te mato!

Dez minutos depois encostou um automóvel, uma moça abaixou o vidro e estendeu 10 reais para ele, que repassou o dinheiro para a turma e avisou:

- Podem ir embora com o meu carro que eu vou ficar! – e embarcou no carro da moça.

Só apareceu na cidade uns dois dias depois e quando a turma se reuniu para dar risada do acontecido ele se justificou:

- Viu só como é bom a gente ter umas namoradinhas escondidas por aí...

Outra façanha aconteceu na festa de aniversário de Helô Almada, em São Paulo. A aniversariante fez questão de convidar um grande grupo de salgadenses. Festa chique, gente bonita e muita bebida, ele não economizou, entornou todas. Altas horas alguém comentou:

- Acho que o Instalação nem sabe onde está mais, de tão bêbado!

Resolveram fazer um teste:

- Ô Instala, vamos sair daqui! Vamos à boate em Auriflama?

- Você acha que eu sou tonto de sair daqui da Boate Calypso em Araçatuba, com esse monte de mulher bonita e ir pra Auriflama?

Num dos bailes da região os amigos testemunharam quando ele arrumou uma namorada e sumiu. Só voltou quando o dia clareava. Durante o retorno à cidade narrou sua conquista, dizendo que havia conhecido a menina e, dez minutos depois, tinha conseguido levá-la para o carro. Um dos amigos falou sério:

- Você usou camisinha?

- Eu não! Na hora do vamo-vê nem deu tempo de pensar nisso!

- Mas Instalação, você é louco? Você transa sem camisinha com uma menina que você nem sabe quem é?

- Ué! Mas ela também não sabe quem eu sou!!!

Tempos depois, no retornou de outro baile ele desmaiou no banco traseiro enquanto os dois companheiros conversavam para espantar o sono e narrar as aventuras da noite.

- Saí com uma moreninha - disse um - levei pro carro e só depois vi que não tinha trazido camisinha. Deu um trabalho danado pra convencer ela a transar sem. Fiquei meio desconfiado depois...

- Desconfiado por quê? – perguntou o outro. Ela tinha cara de sem-vergonha?

- Um pouco, mas acho que não era puta não. Ela até chorou...

Num salto ele se pôs sentado no banco traseiro para advertir o amigo:

- Rapaz, as putas são as que mais choram!


(Aqui tem outras histórias do Instalação).

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Memória 52 (EE Tonico Barão)

EE Tonico Barão (Anos 1980) - Edson Constantino, Adriana Ribeiro, Fernando, Amauri Pelarin, Marli Cardoso, Adriana Haidê, Rosângela Matos, Cacilda Giamatei, Teber Marques, Claudia Vieira, Élio de Freitas e Carlos José de Oliveira (Negão).
Élio de Freitas auxiliou na identificação dos retratados. Sivone Constantino do Prado esclareceu a dúvida que surgiu entre Teber e Esquisito.
(foto: Acervo do Cinquentenário da EE Tonico Barão, clique na foto para ampliar)

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

Um Dedo de Prosa - 3

Além de muitos salgadenses esparramados pelo mundo, esta nossa prosa também costuma atrair a atenção de visitantes eventuais.

Exemplo disso é uma mensagem que recebi por e-mail, ainda quando nossas crônicas eram publicadas no site oficial da cidade, e que, pelo conteúdo e significância, merece registro:

“Moro em São Paulo e costumava pescar em Pereira Barreto e sempre passei às pressas pelo trevo de General Salgado, até que um tio de minha esposa comprou uma fazenda, hoje chamada São Luiz, a antiga fazenda do Grupo Ultra.

Sou gaúcho, nascido em Guaíba, que no meu tempo era uma cidade pequena e provinciana, e como todo interiorano, que pelos rumos da vida acaba parando em cidade grande, sofro de nostalgia e saudades.

Gosto muito do interior de São Paulo e me identifiquei muito com General Salgado, onde costumo passar pelo menos duas semanas por ano. Por curiosidade busquei na internet algo sobre a cidade e encontrei o site que você escreve semanalmente.

Confesso que os contos que você escreve, os quais leio às sextas-feiras, me fazem viajar aos meus dias de menino, ou guri como se diz no Sul, bate uma saudade, meus olhos enchem de lágrimas e devoro cada linha.

Admiro a forma como você escreve e o orgulho que você tem de escrever sobre os prazeres simples e impagáveis da vida, como o conto desta semana. Este orgulho que todo caipira carrega no peito e que poucos mostram, alguns por vergonha de serem taxados de caipiras, outros por quererem estar inseridos nas modernidades dos citadinos.

Como forma de protesto velado, o protesto silencioso, às sextas-feiras venho ao escritório de botas, calça jeans e cinto com fivelão, o que ocasionou um fato curioso: na primeira vez que o pessoal me viu vestido desta maneira, a gozação foi geral, como “perdeu o trem pra roça”, “acabou a liquidação de enxadas”, “o rodeio é em Barretos” e outros tantos.

O tempo foi passando, as sextas-feiras se acumulando e a cada semana chegava um e perguntava: “Sabe, nasci em Araraquara e sempre gostei de botas, onde você comprou a sua?”. Ou então, “Puxa vida, onde você arranjou esta fivela? É que vou para Bauru na casa dos meus pais e queria levar uma lembrança para meu irmão”.

Hoje, a caipirada toda troca figurinhas sobre onde comprar o CD do Teodoro e Sampaio, se chegou novo modelo de bota em tal loja e tudo o mais. A turma do chapéu cresceu de tal forma que estamos pensando em organizar uma festa onde o traje obrigatório seja o de caubói, abrasileirado assim mesmo.

Mesmo morando em São Paulo, faço de tudo para manter as raízes, a chama acesa e o espírito rural. E tenho a obrigação de lhe dizer que você tem uma participação muito grande neste resgate, apesar de sentir-me tragado pelas obrigações, mastigado pela massa de cimento e asfalto, engolido pela poluição e pelo mar de carros, tenho mais um motivo para sorrir: hoje é sexta-feira e o Carlos tem mais um conto para eu ler!!!

Saio do escritório mais leve, mais disposto, ponho Tonico e Tinoco no som do carro e encerro a semana. Feliz.

Há muito tempo eu li na revista Globo Rural um verso, que diz tudo:
“Saudade é uma dor que dá, mais num é dor de doê.
É vontade de alembrá, cum vontade de esquecê,
É uma dor de dentro e machuca, e onde dói ninguém vê.
E a gente pega e catuca, pra num dexá de doê”.

Parabéns pela iniciativa. Um grande abraço e que Deus lhe abençoe.
Daniel Albrecht”


Mais uma vez registramos nossos sinceros agradecimentos ao Daniel e a todos aqueles que prestigiam esta página com suas visitas.

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Memória 51 (Juvenal Castilho)

Juvenal Castilho e Maria Antonia Marques Castilho - Oriundo de José Bonifácio, Juvenal era filho de Iria e Antonio Elias de Castilho. Maria Antonia é filha de Izaltina e Hipólito Ludgero Marques. Tiveram dois filhos: Milton (casou-se com Fátima) e Elza Maria (Amelvi Telles).
(fotos: Álbum de Miltinho Castilho)

Bailes de Gala

O Salgadense Esporte Clube foi fundado no dia 24 de junho de 1957. A primeira diretoria eleita teve como presidente Lineu Simonetti, sendo vice o advogado Adaltio José João. A secretaria coube a Antonio Bernabé, Nelson Thomé Seraphim e Nelson Bechelli. Os tesoureiros: Prof. Umbelino Alves da Costa, Reinaldo Antonio Soligo e Cristobol Ortega.

Membros do primeiro Conselho Deliberativo: Luiz Zoccal, Miguel do Carmo Lisboa, José Desidério Fernandes, Pedro Ricardo Netto, Anibal Martins Felício, Astoril Tomaz, Vitoriano Pedro de Mattos, Vicente Rodrigues Mendonça, Antonio Zoccal, José Sanches, Geraldo Monteiro e Antonio Mendonça Filho. Suplentes: Décio Castilho Cheida e Alvino Manoel Dias.

Em 28 de maio de 1978 a Diretoria presidida por Roosevelt Jesus Vasconcelos tomou a polêmica e até hoje mal digerida decisão de mudar o nome da entidade para Clube de Regatas Salgadense.

A decisão deveu-se tão somente, ao fato de o citado presidente ser torcedor do Clube de Regatas Flamengo, do Rio de Janeiro, pois, como se sabe, em toda a região noroeste paulista nunca existiu um clube de regatas, muito menos em General Salgado.

O clube foi, durante muitos anos, sede dos maiores e melhores eventos festivos da cidade.

O Baile de Aniversário da Cidade e o das Debutantes, por exemplo, eram os mais esperados do ano. Num deles enverguei – aos quinze anos – meu primeiro terno. E me senti o mais importante dos humanos, pois não havia quem comparecesse ao evento sem o rigoroso traje.

Outra atração dos bailes de debutantes era os artistas da televisão. Num deles veio dançar a valsa com as moçoilas salgadenses o então famoso Mário Cardoso, que estrelava a novela global das dezenove horas.

Num dos intervalos em que ele gentilmente ficou pelos jardins do clube batendo papo com os salgadenses, nossa turma o cercou com uma inquietação comum, praticamente o colocamos contra a parede até que atendesse à nossa solerte curiosidade sobre seu par romântico na novela:

- Fale a verdade Mário, a Miriam Rios é tão gostosa quanto aparenta na TV ?

As grandes atrações reservadas para os bailes de aniversário da cidade eram as bandas. Duas delas eram as preferidas de todos os salgadenses: Cassino de Sevilha e Leopoldo de Tupã. A primeira porque trazia um show de danças e a segunda não só pela qualidade como também por um atrativo à parte: o crooner Manga era salgadense.

Era um mulato forte, alto, que vivia por aqui, adolescente contemporâneo de Pedrinho Giamatei e Pedro Maron. Certa vez a banda Leopoldo e sua Orquestra Tupã veio tocar na cidade e o cantor principal adoeceu. O dono saiu procurando na cidade alguém para substituí-lo e conheceu Manga, possuidor de um vozeirão. O maestro ficou tão impressionado com o novato que o contratou imediatamente.

Já ouvi outras versões de como Manga entrou para a banda, uma delas inclusive, exclui a doença do titular. Uma coisa é certa, no entanto, assim que ouviu a voz do salgadense, Leopoldo ficou muito impressionado e não perdeu tempo em contratá-lo.

Num daqueles bailes fui testemunha do quanto era um grande cantor. Além da banda de Tupã a diretoria do clube contratou um show com o famoso cantor Francisco Egídio, que também era um mulato forte, alto, careca e dono de uma voz trovejante.

Na época fazia sucesso com uma música que tocava na abertura de uma das novelas da Rede Globo. No meio do baile a banda fez um intervalo e o showman deu início à sua apresentação. Quase ao final cantou a música de sucesso. Acho que era mais ou menos assim: “Ontem na tarde formosa / um céu cor de rosa / longe, longe...”.

Encerrado o show a banda voltou a embalar os casais e, alguns minutos depois Manga cantou a mesma música com a qual Francisco Egídio havia encerrado seu espetáculo. Então todos puderam verificar que o salgadense era tão bom cantor (ou melhor) do que o artista consagrado e famoso por sua voz forte e aveludada.

Hoje em dia ninguém mais dança num baile, apenas balança, cada um a seu modo e muito distante uns dos outros. Será que a garotada de hoje sabe o que é dançar agarradinho? Pelo menos nos últimos bailes que eu freqüentei não ouvi uma música lenta, nem casais se movimentando lentamente pelo salão em clima romântico, trocando sussurros e confidências ao pé do ouvido.

E samba? No nosso tempo a gente ficava o baile todo na expectativa de duas seleções: a de música lenta e a de samba. É que durante a seleção de lentas a gente saía procurando uma parceira para uns achegos, e durante a seleção de sambas assistíamos, embevecidos, o show do melhor casal de dança de salão que existia naqueles tempos: Marli Crivelari e Batata Bernabé.

Não posso falar no velho Salgadense Esporte Clube sem lembrar de um dos personagens da época, o seu Adriano, antigo zelador do clube, que já partiu para o andar de cima. A garotada se divertia com ele, não só porque trocava o nome de todo mundo, chamava, por exemplo, o Gappa de Gaspa e a Fabíola Beletti de Varíola, mas também porque era um sujeito singular, simplório e muito gentil. Mesmo quando dava broncas nos pequenos que teimavam em nadar na parte funda da piscina, ou quando desligava as luzes da quadra de futebol de salão às dez da noite porque era o único modo de fazer nossa turma deixar de correr atrás da bola.

Num dos bailes colocaram seu Adriano na portaria, para receber os ingressos. Alguém notou que ele segurava um saquinho de papel na mão e ao invés de pegar o bilhete, estendia o saco para que o ticket fosse colocado diretamente em seu interior. Lá pelas tantas da madrugada, quando foram conferir o número de pagantes deram conta que o saco tinha poucos ingressos e um monte de papel em branco. Alguns mais espertos percebendo que ele não conferia os bilhetes, providenciaram papeizinhos com a mesma cor dos tickets e entraram sem pagar.

A sede social do Clube foi construída utilizando-se de um prédio que nos anos 50 era o Grupo Escolar da cidade, papai estudou lá. Para ser aproveitado como sede do novel Salgadense Esporte Clube, houve grande reestruturação, com a construção do palco, portaria, secretaria, sanitários, duas saídas laterais e o bar.

Quando foi inaugurado era uma novidade na região, até então os bailes eram realizados em barracas improvisadas ou pequenos salões comerciais. Nos distritos e povoados então, muitas vezes os bailarinos arrastavam os pés no chão de barro batido, raramente cobertos de palha ou sapé.

Um fazendeiro das bandas de São João do Iracema veio à cidade para conhecer o novo clube e trouxe um peão da fazenda. Quis mostrar a novidade para o empregado. Adentraram aos jardins, então imponentes, repleto de árvores sombrosas e bancos de concreto e chegaram ao salão que recendia tinta fresca.

O peão que poucas vezes tinha vindo à cidade, pouco conhecia além das cercanias do Ribeirão Talhado, ficou embasbacado com a novidade e perguntou ao patrão:

- É aqui que vocês dançam baile?

Diante da resposta positiva do fazendeiro ele não titubeou em satisfazer outra curiosidade:

- E onde é que fica o sanfoneiro?

segunda-feira, 28 de julho de 2008

Memória 50 (Coronel Eufrozino)

Euflauzino Teodoro Castilho - O Coronel Eufrozino, como era chamado, e sua esposa Francisca, doaram à Paróquia N. Sra. das Dores o relógio da Igreja da Matriz.
Filhos do casal: José Castilho (casou-se com Elvira Vigeta), Turibio (Lourdes), Valdomiro (Aidê), Firmino (Maria), Argemiro (Maria Dias), Miguel (Maria), Antonia (Oliveira), Irene (José Mendes), Cecília (Valdomiro Arruda), Anésia (Laurindo), Olavo (Helena Vigeta), João (Nina Seixas) e Francisca (Alceu Queiroz).
Quem souber de outras informações a serem acrescentadas, pode enviar clicando AQUI.
(foto: Acervo da Família Castilho)

Somos Caipiras

Tenho o hábito de incomodar os amigos metropolitanos dizendo que eles são caipiras da cidade, pois apesar de instruídos, evoluídos, modernos e antenados, quando chegam ao interior ficam parecendo baratas tontas, demonstram um desconhecimento abismal sobre as nossas coisas.

Digo isso porque, infelizmente, ainda existem pessoas que apenas por terem nascido e crescido nos grandes centros urbanos, consideram-se seres superiores. Aparecem no interior se achando o máximo, mas não sabem se melancia nasce no chão ou em árvore.

De certa vez um primo paulistano trouxe a General Salgado um amigo que nunca antes saíra de São Paulo: o rapaz tinha medo das galinhas que ciscavam no quintal!

Esses caipiras metropolitanos não sabem se a vaca é do rabo pra frente ou do rabo para trás! (Aviso aos caipiras da cidade: a vaca fica do rabo para a frente; atrás do rabo não existe mais vaca!)

De outra vez, na casa de um amigo paulistano tive que perder a paciência com um sujeito metido a besta, que se dizia o máximo e passou, sem motivo nenhum, a caçoar e ofender a gente do interior.

O bacana desandou a generalizar os caipiras, tratando-nos por ignorantes, analfabetos e atrasados. Talvez por conta do meu característico sotaque de interiorano paulista descendente de mineiros, a conversa veio contra mim e me vi obrigado a devolvê-la na mesma moeda:

- Você conhece Nova Castilho? São Luiz do Japiúba? Los Angeles? Las Vegas? Dallas? – perguntei-lhe.

- Não, não conheço!

- Então você é muito mais ignorante do que eu! – arrematei com certo desdém, sentindo-me vingado. Fui grosso, mas paguei-lhe na mesma moeda.

Meu amigo Pinga Fogo (Sidnei Constantino para os chegados), conta que um dia desses apareceu na cidade um paulistano com a cara esfolada, que narrava, entusiasmado, suas aventuras em solo interiorano:

- Meu! Fui lá no sítio do titio, montei num cavalinho meio beginho... Foi cada pinote! Ôrra, que aventura meu!

O salgadense Euflauzino Teodoro Castilho (1893-1964), conhecido como Coronel Eufrosino, um dos pioneiros da terrinha, quase foi vítima do seu próprio jeitão de caipira.

Na primeira oportunidade em que foi conhecer a capital paulista ficou maravilhado com a grandiosidade e a beleza dos prédios, surpreendeu-se com o tamanho de tudo. Passeando pela cidade deparou-se com o imenso prédio da sede do Banespa, naquela época um dos mais vistosos e imponentes da cidade, próximo ao Vale do Anhangabaú.

Enquanto admirava fixamente a construção foi notado por um daqueles malandros da cidade, ditos espertalhões, que viu a possibilidade de passar um otário pra trás.

O sabido aproximou-se do caipira e puxou assunto. Ficou sabendo que Euflauzino era de General Salgado (“fica longe, perto do Mato Grosso”), que era sitiante, e que estava debutando na capital. Seguiu-se breve diálogo:

- O Senhor gostou deste prédio?

- Nossa! Gostei demais.

- O senhor não se interessa em comprá-lo, preço de ocasião!

- Rapaz, como eu gostaria de ter esse prédio. Já pensou se eu voltar pra minha cidadezinha e contar pra todo mundo que eu comprei esse predião! O senhor está vendendo mesmo?

- Estou vendendo e muito barato.

- Eu tenho interesse sim – disse o salgadense – Mas dinheiro vivo eu não tenho. Tenho outro imóvel que posso colocar no negócio se o senhor aceitar. Podemos bater o martelo agorinha...

- Eu posso aceitar o seu imóvel, mas antes tenho que vê-lo – declarou o malandro, já contando com o sucesso do golpe.

Euflauzino chamou o paulistano esperto: “vamos lá ver o meu imóvel”. Caminharam algumas quadras, ele apontou o prédio da Estação da Luz:

- O meu é aquele, se você aceitar a gente troca “na oreia”!

terça-feira, 22 de julho de 2008

Atualidades 3


Recebemos o Ofício nº 199/2008 da Câmara Municipal de General Salgado, noticiando que o nosso Proseando recebeu Moção de Aplausos e Congratulações daquela Casa Legislativa.

A proposta foi apresentada pelo Vereador Adriano Eugênio Barbosa, jornalista proprietário do Jornal A Gazeta da Região, subscrita por outros vereadores e aprovada por unanimidade no dia 12 de junho de 2008, com a justificativa de que o blog tem feito importante registro da história do município.

Aos vereadores salgadenses registramos aqui os nossos mais sinceros agradecimentos.

A homenagem do legislativo salgadense é um importante incentivo à continuidade das nossas pesquisas, água fresca de moringa que nos renova o fôlego.

Divido o prêmio com os visitantes e colaboradores, sem os quais o blog não teria chegado até aqui.

Muito obrigado.

segunda-feira, 21 de julho de 2008

Ouro e Pinguinho

Capa do primeiro LP da dupla Ouro e Pinguinho

Segundo LP - depois de alguns anos a dupla se desfez, mas segundo informações obtidas pelo blog, os dois cantores ainda vivem em Carmo do Rio Claro-MG.

No ano de 1977 o Salgadense Esporte Clube promoveu um show com uma dupla sertaneja vinda de Minas Gerais, chamada Ouro e Pinguinho.

Pouca gente sabia que os dois tinham parentesco muito próximo com a família Marques de General Salgado. A avó deles, Sinhana Bento, filha de Maria Delminda e José Bento, era meia-irmã de Firmino Luiz Marques e Altina Maria Marques.

Em General Salgado hospedaram-se na casa de Conceição e Antonio Aureliano. Conceição (filha de Altina e Martiniano Marques) vinha a ser prima da mãe dos cantadores.

Para ciceronear os mineiros apresentou-se um grupo de parentes: Tia Neide, Zé do Braz, Nice e Luciana dos Santos, acompanhados da turma que organizava as principais festas da cidade naquela época: Jaburu, Zé Prego (atual Prefeito de Auriflama), Preto Cornélio, Marli Crivelari, Batata e Maninho Bernabé, Gauchinho e Nice Perez, Cabo Onório, Edmar Prado, dentre outros.

Os dois eram muito jovens: Ouro tinha uns 18 anos enquanto Pinguinho devia beirar os 14. Apesar de muito tímidos e ainda no início da carreira musical, eram precoces no talento, haviam gravado três discos com relativo sucesso.

O primeiro em 1975, intitulado Nosso Amor Criança, trazia regravação de três grandes sucessos de compositores consagrados: Mágoa de Boiadeiro (Nonô Basílio e Indio Vago), Paineira Velha (José Fortuna) e Querer Bem (Raul Torres).

O Volume 2 lançado no ano seguinte trazia como destaques: Felicidade (Raul Torres), Depois que a Rosa Mudou (Serrinha) e Quando a Lua Vem Surgindo (Sulino e José Fortuna).

O terceiro LP estava em fase de lançamento. Além de divulgar e vender os discos, a passagem da dupla pela cidade também serviu para arrecadar alguns recursos em shows e apresentações para pequenas platéias.

Em cada apresentação os salgadenses auxiliavam na arrecadação do couvert artístico. Promoveram várias reuniões na Cantina do Mauro Cruzeiro, na Lanchonete do Zé Frota, e mesmo na casa de alguns outros, incentivando os presentes a enfiar alguns trocados nos violões dos cantores. Ao final de cada noite, agradecidos, conferiam o dinheirinho recebido.

Numa das noites de festa, Jaburu e Zé do Braz desviaram a dupla do grupo, levando os cantadores para se apresentarem na Zona do Meretrício, a famosa casa de dona Ambrosina Gonçalves do Nascimento.

No meio do show, quando as moças do local ficaram sabendo que o menino Pinguinho era virgem, foi um alvoroço só. Todas queriam ter a primazia...

Na manhã seguinte dona Conceição varria o terreiro muito preocupada. O dia clareava e os meninos de Carmo do Rio Claro ainda não haviam retornado. Matutava por onde é que podiam estar naquela hora, quando o Passat do Zé do Braz parou na porta da casa.

Os mineiros apearam meio sem jeito, com os olhos no chão. Dona Conceição olhou para Pinguinho e perguntou:

- Uai Pinguinho, o que aconteceu que você tá branco desse jeito!

E o Zé do Braz encomendou o remédio:

- Dona Conceição, bate uma gemada aí que o menino tá precisando!

sexta-feira, 11 de julho de 2008

Memória 49 (Dr. Kleber)

Passeio em Aparecida (SP) - Final dos anos 1970 - Braz Firmino Marques, Dr. Kleber Santana Sales, Zé do Braz, Sibeli Pedrazzoli Sales e João Firmino Marques.
(foto: Álbum do blogueiro)
Estados Unidos (2007) - Vilma Chaves, Dr. Kleber e o neto americano Matthew (filho de Rita e Vini)

Dr. Kleber com os netos João Luis e Letícia (filhos de Sibeli) e João Hugo (filho de Rita)
Formado pela UFRJ, o médico maranhense Kleber Santana Sales chegou a General Salgado no dia 26 de maio de 1960, por indicação de Plínio Barbosa, proprietário de uma farmácia na cidade. Casou-se com Sibeli Pedrazzoli, filha do farmacêutico Hugo Pedrazzoli e com quem teve duas filhas: as gêmeas Rita e Sibeli. Nunca exerceu função pública ou cargo eletivo, mas sempre manteve inquestionável liderança política.
(fotos: Álbum de Rita Pedrazzoli Sales)

Major

No dia 26 de maio de 1996 a Câmara Municipal de General Salgado concedeu uma das mais justas homenagens de toda a sua história. Outorgou o título de Cidadão Salgadense ao Dr. Kleber de Santana Sales.

Para minha surpresa, Osvaldo Marques Junior (Mineirinho), então Presidente da Câmara, me convidou para proferir o discurso de saudação ao homenageado.

A minha satisfação decorreu principalmente, do fato de que o agraciado manteve com meu avô Braz Firmino Marques uma amizade fraterna que nasceu nos seus primeiros dias em solo salgadense, e que se estendeu aos demais familiares ao longo de todos esses anos.

Muitas foram as vezes em que, nas minhas passagens pela cidade, ele me recebeu no seu consultório da Santa Casa para uma boa prosa. Outras vezes, franqueou-me a sua casa como só os bons amigos sabem fazer.

Quando Rita e Sibeli vinham passar as férias na cidade trazendo um bando de amigos paulistanos, ele fazia questão que eu organizasse os churrascos na Fazenda Ritabeli ou os deslocamentos pelas festas da região, confiando-me a direção da camionete. Por conta desta relação próxima, acostumei-me a chamá-lo carinhosamente de Major, dado o seu indefectível tino de comando.

Após saudar as autoridades, dirigi aos presentes e ao homenageado o seguinte discurso:

“A poucos homens é dado o momento em que seu destino individual confunde-se com o da terra aonde vive; em que é difícil distinguir entre seus próprios passos e a história de seu povo.

Convocados como testemunha dessa união e participante deste ritual, permita-nos, nobre cidadão salgadense, adentrar a solidão que o antecede; rever no menino de São Luis do Maranhão, no jovem estudante, no acadêmico desterrado, no médico conceituado, no homem empreendedor e incansável, a síntese de vossa vocação.

No limiar do ano de 1960, a tímida população salgadense não se deu conta de que além do conselho do amigo Plínio Barbosa e do charmoso caminhão Studbacker que o conduzia, algo mais fazia chegar à cidade um médico recém saído da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Aos trinta e quatro anos - completados um dia após instalar-se na cidade - o nosso cidadão trazia consigo marcas indeléveis de um temperamento forte, margeado de imensa disposição em lutar e vencer na vida. Nestes trinta e seis anos decorridos, jamais se privou de suas convicções e nunca se afastou do nosso povo.

Foram dias difíceis os primeiros vividos em nossa cidade. Praticando o ofício medicinal com esmero, dedicando-se igualmente aos que dele necessitavam, ganhou confiança e amealhou amigos. Combativo, indômito, desassombrado, nosso homenageado não se limitou em ser médico estrênuo e porfiado.

Amigo e conselheiro, tornou-se com a sabedoria dos abençoados um dos principais responsáveis pelo avanço político e administrativo do município, sem jamais ter exercido função pública. Deixando de lado interesses pessoais, sempre pleiteou e obteve, em favor da população salgadense, melhores condições de vida e de desenvolvimento.

E os exemplos de sua atuação estão perpetuados em todos os cantos da cidade, ao alcance de todos. São marcas indestrutíveis gravadas na memória de General Salgado pela mão diligente e corajosa do nosso agraciado Doutor Kleber.

Não foram suficientes para demovê-lo os ataques e as ofensas daqueles que se sentiram ofuscados por sua reluzente tenacidade. Ao invés de obstáculos, serviram de impulso, de incentivo à sua obstinação. Jamais se deixou vergar, inspirado - por certo - nas palavras clássicas de VOLTAIRE: “pregar a verdade e propor alguma coisa útil para a humanidade é uma receita infalível para ser perseguido”.

Completa-se hoje o trigésimo sexto ano de sua presença nesta cidade. Para nosso júbilo, podemos vê-lo, não no ocaso de uma bruxuleante carreira, mas sim, no zênite de uma existência que sempre se manteve ascendente.

Amanhã nosso homenageado completará setenta anos e, como se observa em todos os presentes, os cumprimentos por esta consagração lhe são estendidos desde hoje por seu povo, cuja maioria se compõe de seres que vieram ao mundo pelo labor de suas mãos abençoadas, e na qual, com muito orgulho, estou incluído.

Hoje todos somos testemunhas de um agradecimento há muito existente no coração de todos que conhecem este cidadão. Ao conferir ao Doutor Kleber de Santana Sales o título de cidadão salgadense, a Câmara Municipal resgata, com extrema justiça, uma dívida cujo título fora lavrado com a honra e a coragem de um guerreiro. Um vencedor que sempre amou sua terra adotiva com fervor de oração, nutrido de um sentimento imperecível, próprio dos filhos mais amorosos.

E este amor sempre se revelou aos olhos de nossa gente. Na ânsia de perpetuar no coração de seus descendentes a chama que sempre avivou seu coração salgadense, nosso laureado Doutor Kleber fez nascerem salgadenses os netos, filhos homens de Rita e de Sibeli, que, queira Deus, tenham recebido dos céus estes atributos avoengos.

Caro Doutor Kleber. A tradição desta casa entregou-nos, nesta cerimônia, uma peculiar representação. A consciência de tão relevante encargo nos deu forças e, mais do que isso, ousadia para aceitá-lo. Se por um lado nos sentimos limitados na pretensão de saudá-lo à altura de vosso merecimento, esperamos nos seja deferida a atenuante de tê-lo feito movidos pelo relevante valor moral, o da sincera amizade, profunda admiração e arraigado respeito. Esteja certo que são estes os sentimentos propulsores de nossa empreitada.

Doutor Kleber de Santana Sales. É chegada a hora de colher generosamente o que generosamente se plantou. Sua modéstia, mesmo contra sua vontade, não pode esconder sua grandeza que não consiste, apenas, em haver desempenhado uma profissão em favor de seu povo - a de médico - mas sim, de haver dedicado uma vida inteira na busca de melhores dias para os seus semelhantes.

Que Deus o Abençoe!”


Durante o discurso de agradecimento que fez naquele dia, o Major surpreendeu a todos com uma emocionante revelação. Contou que logo nos primeiros dias após se instalar na cidade foi chamado para atender uma mulher em trabalho de parto.

Passaram-se horas sem que a mãe conseguisse expelir o bebê. O médico e as enfermeiras, extenuados, tentavam de todas as formas possíveis fazer com que o parto acontecesse. O atendimento avançou noite adentro, e chegou um instante em que sentiu que eram poucas as chances do bebê nascer com vida. Temia até mesmo pela vida da mãe, exaurida.

Aquela situação dificultosa e angustiante parecia interminável, até que, num último esforço, buscando forças inexplicáveis e colocando em prática todo o seu recente aprendizado médico, conseguiu fazer com que o parto chegasse a bom termo.

Apesar das dificuldades, o bebê nasceu forte e saudável, seu choro transmitiu intensa alegria, renovando as energias de toda a equipe, que passara a noite em claro para salvar mãe e filha.

- Dali em diante – disse o doutor - em todas as ocasiões em que enfrento dificuldades na vida, por maior que sejam os obstáculos e por mais impotente que eu me ache diante deles, eu me recordo daquela noite, e me sinto forte novamente!

O nome do bebê: Marilei Fernandes Belini.

sexta-feira, 4 de julho de 2008

Memória 48 (Palhaços)

Início dos anos 1980 - Os dois palhaços são: Nera (Laurico de Almeida) e Gilbertinho Graça do Nascimento. O primeiro garoto é Eduardo Castilho, filho de Maria Izaltina e Orival Castilho. O segundo é Gustavo, filho de Doca Castilho.
A foto foi tirada no aniversário de um dos filhos do casal Lucia Elena e Joãozinho Moreira. Marcelo Cruzeiro e Doca Castilho contribuíram para a correta identificação de todos.
(foto: Álbum de Gilberto Graça do Nascimento)