quarta-feira, 2 de março de 2011

Professora Julieta Farão

  • Manoel Afonso (especial para o Proseando)

Elegante no vestir, lábios carnudos adornados com batom, cabelos pretos e um corpo de violão. Essa era a professora Julieta Farão, natural de Itajobi (SP), que durante alguns anos foi professora no curso Primário – ainda quando o Grupo Escolar funcionava no prédio que hoje abriga a sede social do Clube de Regatas Salgadense. Dela guardo boas recordações: era acessível no relacionamento com os alunos e zelosa quanto à redação, da qual herdei muitos ensinamentos na 4ª. Série, em 1958.

Nos eventos sociais da cidade ela era paparicada pela sua beleza carismática e postura simpática. Essas manifestações de carinho eram freqüentes também na escola, com os alunos presenteando-a com flores, frutas e quitutes preparados em casa. Aliás, naquela época, professora era vista como a “segunda mãe”, mais que respeitada: reverenciada até.

Pois bem! Agora vem a parte interessante do texto. No ano de 2006, bateu uma saudade danada da professora Julieta. E fiquei matutando: “onde ela estará?”. Recorri ao Suplemento Feminino do jornal “O Estado de São Paulo”, que trazia uma seção de relacionamento pessoal. Mandei uma carta dizendo apenas que tinha sido seu aluno, que ela tinha familiares residindo em Itajobi e que gostaria de saber notícias suas.

Pois bem! O anúncio foi publicado no Domingo e nunca imaginei que a repercussão fosse tamanha e tão rápida. Naquela mesma noite, recebi vários telefonemas de professoras residentes na capital paulista que tinham sido colegas e amigas da Julieta. Todas ficaram impressionadas com o objetivo do meu anúncio e questionaram as razões do mesmo. Algumas até interpretaram minha iniciativa segundo a doutrina espírita, alegando que talvez “ela estivesse precisando de orações”. Mas aqui não cabe discutir esse aspecto, concordam?

E agora vem a parte ruim dos telefonemas: a professora Julieta havia falecido há alguns anos, vítima de um aneurisma cerebral. Tudo leva a crer, segundo as conclusões, de que ela – morando sozinha num apartamento – tivesse caído e batido a cabeça. O corpo da mestra querida foi sepultado na sua pequena Itajobi, sendo que as colegas de escola alugaram um ônibus e estiveram presente no funeral.

Nos dias seguintes ao anúncio recebi também várias cartas belíssimas postadas por ex-colegas dela. Além da caligrafia belíssima, de inconfundível característica professoral, todas continham promessas de orações em intenção a alma de Julieta.

Inesquecível também o telefonema que recebi de um dos dois irmãos de Julieta. Comerciante antigo em Itajobi, falou emocionado da irmã e fez a “intimação” para que eu o visitasse. Promessa eu fiz, mas até aqui não consegui concretizá-la, por comodismo e falta de oportunidade.

Vale anotar que – em reconhecimento aos seus excelentes serviços prestados à educação, o Governo do Estado de São Paulo, por decreto, denominou oficialmente a escola da Vila Cardoso, na capital paulista, como “Escola Estadual Professora Julieta Farão”.

Assim, estou resgatando aqui a figura desta professora que passou pela nossa General Salgado, mostrando um pouco mais de sua trajetória entre nós e certamente provocará comentários e reflexões entre aqueles que a conheceram. Assim, a professora Julieta merece ficar incrustada por todo e sempre em nossos corações saudosos. Até...

Manoel Afonso (mcritica@terra.com.br)

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Lembranças do Álvaro Rodrigues e família

  • Texto do salgadense Manoel Afonso (especialmente para o Proseando)

"Esse Carlos José é danado! Com seu blog acabou derrubando minha resistência em não abrir o baú da saudade dos tempos de menino. Toda vez que vejo aquela foto emblemática – de boiadeiros - voltam as imagens vividas na fazenda da sua família, do patriarca Álvaro Rodrigues, conhecido por todos como simplesmente “véio Arvo”.

Essa relação começou quando meu pai – o Nelo Afonso - comprou a chácara do velho Álvaro e em seguida foram parceiros na lida do gado, como sócios inicialmente. Depois essa parceria continuou com o sistema de arrendamento de pastagens daquela propriedade situada na região do “Córrego Lambari”.

Eu adorava ir até lá com meu pai. Tudo ali encantava a gente: aquela casa com muitos quartos, o enorme fogão, o mangueirão, o chiqueiro de porcos, o curral, o barulho da desnatadeira e todo aquele movimento dos filhos, peões e visitantes. Como esquecer essa fantástica figura do Sr. Álvaro? Quem o conheceu pode confirmar: falante, gestos largos, de grande ascendência sobre os filhos e de um coração generoso. Às vezes comento com minha mãe: “quantas refeições a dona Maria e a Áurea prepararam na fazenda!” Aliás, o doce de leite e o biscoito que faziam eram o sonho de consumo de qualquer menino da minha idade.

Ambas não tinham descanso! Se durante a semana tinham que alimentar a família enorme e a “peonada”, aos domingos cuidavam da alimentação que era servida ao pessoal que vinha atrás das fortes orações que o velho Álvaro fazia em sua capelinha. Ele tinha poderes especiais: presenciei cenas fortes de exorcismo, como nos filmes. Gente rica e pobre vinha de longe em busca de cura de parente que chegava ali em estado desesperador, às vezes até amarrado para evitar agressões. A reza dele era de arrepiar na luta contra os maus espíritos. Rezador como ele, sem truques, comuns atualmente por aí, jamais encontrei.

Meus irmãos José e Toninho contam episódios interessantes que envolvem o sr. Álvaro. Fatos que retratam bem sua coragem, simplicidade e despojamento nas situações mais inusitadas. Acho que a vida dele daria um bom livro, mostrando sua garra numa época de dificuldades, sem estradas, assistência médica e outros recursos hoje disponíveis.

A Fazenda do sr. Álvaro pode ser considerada realmente “Meu Reino Encantado”, porque reunia todos os elementos agregadores de família e amizade. Ela tinha fartura, carro de boi, tropa de lida nota 10, porcos no chiqueiro, vacada gir de leite berrando de madrugada, galinhada no quintal e muita energia positiva no ar.

Como esquecer a festa de chegada da Folia de Reis naquela fazenda? Religioso e organizado, o “sr. Arvo” não deixava faltar nada. Do violino afinado aos doces e biscoitos servidos ao pessoal que vinha de longe.

De vez em quando, para matar a saudade, indo de Salgado para Araçatuba, paro para abraçar os pais do Carlos José, que resistem bravamente num pedaço da velha e inesquecível fazenda. Gente de estirpe, de uma teimosia rara e invejável, que não arreda pé de seu chão.

E prometo voltar ao blog, para contar causos e falar de gente de um tempo que não volta mais. Até!

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Correio Elegante 3 (Família Pires)

Família Pires - Sebastião Pires da Cunha, o famoso Tião Lambreta, nos anos 80 foi técnico de alguns times de futebol de salão na categoria infanto-juvenil (sub-15) dos campeonatos de férias do Salgadense Esporte Clube. Seu time mais famoso foi o Ranco-Tampo, certamente o nome mais criativo de todos aqueles campeonatos. Morando em Jundiaí, Tião manda notícias e saudações aos amigos salgadenses que visitam o Proseando. Ao seu lado na foto aparecem: Nelson Pires (o famoso Biroca) e Silvio Pires (o Peru).
(foto: Álbum de Sebastião Pires)

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Memória 94 (Nova Palmira 1959)

Fazenda de Guilherme Zoccal - Nova Palmira (1959) - Mais uma foto do esquadrão que representava Nova Palmira nos jogos e torneios da região. No alto: os dois primeiros não foram reconhecidos, sabe-se que eram tratoristas do Sr. Guilherme Zoccal; os demais são: Paulo Posseti, Domingos de Almeida, Agostinho de Almeida e Cido Marcondes. Agachados: Nino Onofre, Celso Caoro Kuribayashi, Lino Marcondes, Ademázio de Almeida e Sinhozinho.
Reconhecendo os não identificados, mande um e-mail para o nosso embornal.
(foto: Álbuns de Domingos e Ademázio de Almeida)

Em Memória 29 (CLIQUE AQUI), publicamos outra foto do mesmo time em 1958:


Em pé: Alcino Francisco (treinador), Domingos de Almeida, Valdo Aleixo, Toni Aleixo, Agostinho de Almeida, Mercides Santana, e goleiro (não identificado).
Agachados: Zezão Amaral, Quinca, Lino Marcondes, Ademázio de Almeida e Sinhozinho.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Donna Oliva


Site da Pizzaria Donna Oliva (http://www.donnaoliva.com.br/)

Nos anos 60/70 a Casa Fernandes era um armazém com produtos diversos (na época era chamado de Secos & Molhados) localizado na esquina da Av. Diogo Garcia com a Rua José Desidério Fernandes. O proprietário era Zezinho Fernandes. Muitos anos depois, seus filhos Benedito e José Antonio, engenheiros civis, decidiram investir no ramo de pizzaria, abrindo uma primeira casa em Araçatuba. O negócio se expandiu e abriram uma filial em Presidente Prudente e, recentemente, outra em Marília. O site da Pizzaria Donna Oliva é um primor e as fotos dão água na boca.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Mitos que se espalham na rede

Diariamente milhares de e-mails são disparados mundo afora contendo um monte de besteiras. São mentiras, lendas e baboseiras que se espalham e, infelizmente, acabem convencendo muito gente pelo caminho. A última que eu recebi diz respeito a história do Ratimbum, expressão que comumente se usa durante o canto do "Parabéns a Você". Desde que eu era criança pequena lá em Nova Castilho o Parabéns a Você é entremeado pelo pique, hora e ratimbum. Mas eu já tinha lido há muitos anos a história da origem dessa palavra e, tão logo recebi a mensagem, fui confirmar a veracidade do caso.

Para piorar um pouco a situação, percebe-se que a mensagem que anda esparramando a lenda por aí está carregada de fanatismo religioso. Isso, na minha opinião, aumenta o perigo.

Eis o teor da mensagem que recebi:

"RATIMBUM

É uma palavra mágica usada pelos magos pérsias na Idade Média. Em rituais satânicos, elas eram pronunciadas assim e ao contrário fazendo o mestres dos magos surgir das cinzas e realizar os desejos de quem os proclamou.

Por muito tempo cantamos inocentemente um "parabéns" pra alguém que está aniversariando. Mas até aqui tudo bem. O que muitos não sabem é que depois da música vem um tal de ratimbum (isso significa: eu amaldiçôo você) muitos não sabem, mas os demônios se divertem em muitas festas até cristãs.

Esse ratimbum é pronunciado até para os pastores e devemos tomar cuidado porque é essa mesma a finalidade do maligno. Muitos não sabem porque acontecem tantas coisas misteriosas depois de uma simples festa de aniversário.

Deixo aqui o meu alerta a todos os que lêem essa mensagem porque a obra do maligno é essa: festejar a ruína do homem. Existiu até certo tempo um programa infantil numa determinada emissora de TV (castelo ratimbum) que significa "castelo da maldição".

Como podemos cantar felicitando uma pessoa e depois amaldiçoá-la? Irmãos tomemos muito cuidado. Passem isso adiante. Que Deus nos guarde! Detalhe que depois de dizer ratimbum, se pronúncia o nome do aniversariante várias vezes... Vamos nos atentar para isso irmãos."


A VERDADE
É pouco crível que a simples celebração de um aniversário, data no qual todos os familiares e amigos buscam pensamentos positivos para desejar ao aniversariante, contenha algum tipo de negatividade. Além disso, não tenho notícia de que essa parte do canto exista em outras partes do mundo. Pelo que eu sei, pique, hora, ratimbum em festa de aniversário só existe no Brasil.

O Dicionário Etimológico Nova Fronteira da Língua Portuguesa diz que a palavra RATIMBUM é uma onomatopéia, é a imitação de um som. Neste caso o som emitido por uma bandinha de circo ou uma fanfarra quando quer chamar a atenção sobre uma finalização de uma apresentação. A caixa faz TARARÁ!, os pratos fazem TIM!, e o bumbo faz BUM! - TARARÁ TIM BUM, para tornar a palavra mais curta e fácil de falar elipsaram o TARA... e ficou só o RÁ, RA-TIM-BUM, com três sílabas de bom efeito sonoro.

Uma pesquisa publicada há algum tempo na revista da FAPESP diz que a expressão "é pique, é pique, é hora, é hora, é hora, rá-tim-bum", é um bordão incorporado no Brasil ao Parabéns a você, é uma colagem de bordões dos pândegos estudantes das Arcadas da década de 1930.

"É pique, é pique" era uma saudação ao estudante Ubirajara Martins, conhecido como "pic-pic" porque vivia com uma tesourinha aparando a barba e o bigode pontiagudo." "É hora, é hora" era um grito de guerra de botequim. Nos bares, os estudantes eram obrigados a aguardar meia hora por uma nova rodada de cerveja – era o tempo necessário para a bebida refrigerar em barras de gelo. Quando dava o tempo, eles gritavam: "É meia hora, é hora, é hora, é hora" .

A expressão "Rá-tim-bum" refere-se a um rajá indiano chamado Timbum que visitou a faculdade e cativou os estudantes com a sonoridade de seu nome. O amontoado de bordões ecoava nas mesas do restaurante Ponto Chic, com um formato um pouco diferente do que se conhece hoje:"

"Pic-pic, pic-pic; meia hora, é hora, é hora, é hora; rá,já, tim, bum".

Como os estudantes costumavam ser convidados a animar e prestigiar festas de aniversário e nelas apresentavam seus hinos, essa parte acabou sendo incorporada ao Parabéns a Você, conforme contou Eduardo Marchi, diretor da faculdade, no seu discurso de posse.


Por isso, nunca é bom acreditar em tudo o que aparece na Internet.

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Cinema na Praça 6 (Araçatuba no Mais Você)


Programa Mais Você, apresentado por Ana Maria Braga na TV Globo em 2010, mostrando Araçatuba e o famoso cupim casqueirado do Restaurante Choppompeu. O primeiro proprietário do Choppompeu e responsável pela transformação do prato num dos preferidos dos araçatubenses foi o auriflamense Reginaldo Gaviglia, atual proprietário do Restaurante Bola 7.

Cinema na Praça 5 (Araçatuba - anos 60)


Imagens raras de Araçatuba nos anos 60. Pode-se visualizar os primeiros grandes prédios de apartamentos contruídos ao redor da Praça Rui Barbosa (a famosa Praça do Boi), a construção do prédio da Rodoviária, o Country-Club, o Zoológico e as grandes avenidas.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Memória 93 (Salgadense x Milionários FC)


Estádio Paulo Posseti (Março/1979) - Os salgadenses Adriano Garcia, Ivan de Moraes, Paulo Cesar de Almeida (Pateta), Vande Mendonça e Celso (Testa), ao lado do grande César Maluco, atacante da Sociedade Esportiva Palmeiras nos anos 1960/70. Para ver a história do jogo do time Salgadense com o Milionários, que reunia grandes craques do passado, CLIQUE AQUI.
(foto: Álbum de Ivan de Moraes)

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Mais um ano se passou...

2010 chegou ao fim. É preciso descansar e recarregar as baterias, rever familiares e amigos.

2011 se aproxima. É preciso renovar as esperanças, olhar adiante e encarar os novos desafios.

Dentre as inúmeras mensagens e votos de Feliz Natal e Ano Novo recebidas - aproveitando a oportunidade para agradecer e retribuir na mesma medida - escolhi uma para dividir com os amigos que participam da nossa prosa. Seu autor é um advogado sul-matogrossense que presidiu a OAB/MS de 2007 a 2009 e com quem convivi de perto por ter exercido, no mesmo período, a presidência da Subsecção da OAB/MS de Chapadão do Sul.

Durante essa convivência aprendi a admirá-lo por sua competência como advogado e como cidadão. Advogado combativo, emérito professor universário, notabilizou-se por sua marcante atuação como dirigente máximo dos advogados sul-matogrossenses. Tanto que encerrou seu mandato á frente da entidade com uma aprovação superior a 85%.  De imediato assumiu outra missão e candidatou-se ao Congresso Nacional. Foi um dos mais votados no Estado. Trata-se, certamente, de um dos mais promissores políticos do país e tenho certeza de que todo o Brasil terá muito orgulho de sua conduta como parlamentar.

Dele recebi a seguinte mensagem de final de ano, que divido com os amigos:

"Carlos Reis:
A estrutura profunda do processo vital resume-se na palavra UNIÃO. Átomos, moléculas e células superam o desafio da vida porque se UNEM. E porque tudo na vida é feito pela química das unidades REUNIDAS, os passos que deixei no caminho não seriam ungidos pelo êxito se não fosse a aliança com a sua energia ESPIRITUAL. Obediente à lógica de DEUS, submeto-me ao rebatismo da gratidão, aspergindo água benta em nossa amizade, para fixar-lhe na alma o que da minha alma restou para lhe dizer: MUITO OBRIGADO!
Fábio Trad
06/12/2010
Feliz Natal e um próspero 2011".

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Atualidades


Em evento ocorrido no Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso do Sul, o advogado e jornalista salgadense Manoel Afonso, que também é comentarista da Rede Record em Campo Grande, aparece ao lado do diretor financeiro da Assembleia Legislativa de MS, Jericó Matos, e do major da Polícia Militar, Cláudio Rosa.
(foto: Gabriel Santos, especial para a coluna de Fernando Soares, no site Midiamax)

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Nova Castilho na imprensa regional

Nova Castilho foi objeto de matéria do jornalista Allan de Abreu publicada no Jornal Diário da Região, de São José do Rio Preto, edição do dia 07 de novembro de 2010, que tomamos a liberdade de republicar.

Tranquilidade
Nova Castilho é a 2ª menor cidade do Estado de SP
Allan de Abreu

Praça matriz de Nova Castilho, região de General Salgado: cidade não registra crimes há sete anos
(foto: Rubens Cardia)

Em Nova Castilho, o tempo é de outra ordem. Lá, relógios correm macios, vagarosos, sob o olhar sossegado das 1.124 “almas” contabilizadas pelo IBGE no último Censo, metade delas na zona rural. Encravada em um extenso planalto entre General Salgado e o rio Tietê, a cidade se orgulha de ser a segunda menor do Estado e a quinta do País. Para efeito de comparação, tem população equivalente a de Talhado, distrito de Rio Preto.

O isolamento é total. Há apenas um acesso por asfalto, 20 quilômetros de estrada sinuosa que separam a cidadela da “capital” Salgado. Para levar pacientes até Araçatuba, as ambulâncias precisam percorrer um trecho de 14 quilômetros de chão batido. Não há Fórum, agência bancária, rodoviária. Muito menos ônibus regulares. Celular, só de uma operadora, e olhe lá.

“Acho que o mundo esqueceu Nova Castilho. Mas é bom assim”, diz o aposentado Aristides Garcia, 69 anos, morador do município desde 1953. Aristides ajudou a povoar a cidade: tem quatro filhos e oito netos, todos orgulhosos castilhenses. “A gente vê tanta violência na cidade grande, prefiro esse sossego aqui.”

O aposentado não exagera. Durante meia hora na última quinta-feira, a reportagem flagrou apenas quatro carros e um trator cruzando a principal rua da cidade, ao lado da igreja matriz. Um exemplo mais do que convincente da “cidadezinha qualquer” de Carlos Drummond de Andrade, onde homens, cachorros e burros vão devagar, sob o “olhar” igualmente vagaroso das janelas. Em uma delas costuma ficar o também aposentado Eurides Francisco do Amaral, 80 anos. Há três décadas ele se vale da tarde quente para observar a igreja e o céu azulado do Centro de Nova Castilho. “Morro nesta terra, e com gosto. Adoro essa tranquilidade.”


Moradores antigos, Eurides Francisco do Amaral e a cunhada Vanda Amaral gostam da tranquilidade.
(foto: Rubens Cardia) 

Nova Castilho é uma cidade de idosos. Porque sobram poucas escolhas na vida dos jovens: ou vai para a roça, lidar com gado ou trabalhar nas lavouras de cana, ou dá um jeito de arrumar vaga na prefeitura, a maior empregadora em uma cidade sem indústrias e onde o comércio se resume a uma padaria, uma farmácia, um restaurante, uma loja de material para construção e um posto de combustível.

“A maioria dos jovens acaba se mudando para Salgado, Votuporanga ou Jales”, diz o prefeito Roberto Lopes, dono do maior salário da cidade, R$ 6 mil. Com orçamento de R$ 8,2 milhões, a cidade depende de recursos da União e do Estado para sobreviver. A receita da cidade, que se resume ao IPTU e Imposto Sobre Serviços (ISS), cobre apenas 20% das despesas. “Se não fosse o FPM (Fundo de Participação dos Municípios) e o ICMS, Nova Castilho não existiria”, afirma Lopes.

Nenhum advogado, engenheiro ou médico reside no município. O clínico-geral, a pediatra e o ginecologista do único posto de saúde vêm todos os dias de General Salgado. Assim como o padre, que uma vez por semana vai rezar missa na matriz. Mas a cidade comemora avanços. Se há oito anos só uma rua não era de chão batido, hoje todas as 23 quadras contam com asfalto.

A cidade trata todo o esgoto que gera e comemora os altos índices na educação - tirou nota 7,2 no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), uma das mais altas da região. Há dois meses, o município ganhou uma agência dos Correios, com direito a banco postal. Um luxo para a esquecida Nova Castilho. “Agora a gente não tem mais de ir até o banco em ‘Sargado’”, comemora Aristides.

Aqui funciona a Delegacia da cidade, com apenas dois funcionários. Em 7 anos, apenas um homicídio.
(foto: Rubens Cardia)

O sossego dos castilhenses se reflete nas estatísticas criminais do município. Desde 2001, houve apenas um homicídio, há sete anos, quando um menino atacou outro com uma faca durante quermesse, além de dois roubos, três furtos de veículos e 41 furtos em geral. O último foi neste ano, quando uma máquina de picar cana sumiu de um sítio. “Aqui é muito tranquilo. O único problema é que, vez ou outra, alguém exagera na bebida no bar e cria alguma confusão”, diz o soldado da PM Ivan Carlo Alves, de plantão na última quinta-feira. Nova Castilho tem apenas um policial militar por turno, com uma viatura.

Na delegacia, são dois funcionários: uma escrivã e um investigador. O delegado responsável fica a maior parte do tempo em General Salgado. Na quinta, quando a reportagem do Diário foi a Nova Castilho, a repartição ficou fechada durante o dia porque a dupla cuidou do caso que chocou a cidade: a PM flagrou uma adolescente de 15 anos deficiente mental seminua na cama de um lavrador, que acabou preso em flagrante. “Ninguém se conforma com o que aconteceu. Nunca houve nada parecido por aqui, que eu me lembre”, afirma a conselheira tutelar Lurdes Aparecida dos Santos.

Nova Castilho é apontada pelo IBGE como a menor cidade da região e a segunda menor do Estado. ‘É melhor que continue pequena’.
(foto: Divulgação)

Fundado em 1925, o povoado de Vila Castilho, assim chamado em homenagem ao sobrenome do fundador, José Antonio de Castilho, permaneceu por sete décadas como um distrito de General Salgado. A emancipação só veio em dezembro de 1995, após um plebiscito que decidiu pela criação do município. Desde então, Nova Castilho é administrada pelo PSDB. “Somos uma cidade de tucanos”, resume o prefeito Roberto Lopes, que se orgulha de ter no gabinete fotos do ex-governador Mário Covas. “Ele nos apoiou no processo de emancipação”, justifica Lopes.

Boi e cana formam o binômio da economia castilhense. Mas não dão conta de absorver toda a população economicamente ativa do município. O prefeito não tem estatísticas, mas admite que o desemprego é grande, principalmente entre as mulheres. “Construímos um barracão para uma fábrica de confecção, e resolver uma parte do problema”, afirma. Ao lado do imóvel, os dez lotes do distrito industrial permanecem vazios.

Ser pequeno é motivo de orgulho para o prefeito. “É melhor que continue assim.” Menor do que Nova Castilho no Brasil, só a paulista Borá (805 habitantes), Anhanguera, em Goiás (1.011 habitantes), Oliveira de Fátima, no Tocantins (1.035 moradores) e Araguainha, Mato Grosso (1.093 moradores).


segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Modernidades

O salgadense Wanderlei Guimarães, o famoso Tatinha, é o feliz proprietário de um Ford Corcel II que trata com muito zelo. É comum vê-lo circulando pela cidade com o automóvel sempre limpo e bem cuidado. Não se cansa de divulgar aos amigos as proezas do carrão.

Dia desses o veículo precisou de umas peças novas e o proprietário se deslocou até Araçatuba para comprá-las. Ao tentar pagar a mercadoria, o dono da loja - um descendente de orientais - recusou o pagamento em cheque.

- Só aceita carton, né?

Tatinha tentou convencer o negociante dizendo que só utilizava cheque, nem carregava cartão, mas o japonês não se convencia, dizendo que talão de cheques era coisa ultrapassada e que hoje em dia todo mundo só usava cartão de crédito ou de débito em conta. Coisas da vida moderna. O jeito foi apresentar um último argumento.

- Veja só. Eu estou no meio do pasto negociando gado, o preço é bom, o gado me serve, ofereço o preço que o vendedor pediu, o boiadeiro começa a ratear e eu preciso garantir o negócio. Vou passar o cartão aonde? Na bolacha da vaca?

Sem contra-argumento, o japonês acabou aceitando o cheque.

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Memória 92 (Campeonato Infanto-Juvenil 1980)


Campeonato Municipal Infanto-Juvenil (1980) - Este time disputou a final do campeonato com o Grêmio Salgadense, dirigido por Márcio Teixeira.
Em pé: Izidio, Carlos Gambi, (não identificado), João Jorge, Paulo Fantini, Miguel Fantini e Raé de Moraes (treinador). Agachados: Dui Plaza, Donizete, Jurandir Castro, Miltinho Renda, Laudemir e Cássio de Vergilio.
Ajude na identificação, mande um e-mail para o nosso EMBORNAL.
Outras fotos desse mesmo dia: o time adversário - Memória 3 (CLIQUE AQUI).  
A entrega dos prêmios - Memória 66 (AQUI).
Atualização em 16/09/2010: Ocimar Prado, o Becinha, reconheceu Laudemir, também conhecido como Nick Lauda.
(clique na foto para ampliar)
(foto: Álbum de Sandra Sonomura).

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Intervalo

A fim de atender a um convite feito pela Editora Contemplar (http://www.editoracontemplar.com.br/) de Campo Grande, nos últimos 20 dias estive impossibilitado de dar ao Proseando a atenção que merece.

Por conta disso, as postagems minguaram, pouco respondi às mensagens deixadas nos comentários ou na caixa de recados.

Hoje, porém, dei conta de entregar a encomenda, para meu alívio. Acredito que nos próximos dias retomo o andamento normal da nossa prosa.

Agradeço a compreensão de todos.

Quanto ao projeto que me tomou todo esse tempo, depois eu conto do que se trata!