sexta-feira, 16 de julho de 2010

Água de Bacia

Por conta de uns compromissos que se foram enredando, a nossa prosa ficou parada por quase um mês. Parada como água de bacia, diria o caipira. Mas já vamos retomar o trilheiro.

Aproveitamos o ensejo para dar uma renovada no visual do blog, espero que os amigos visitantes aprovem as modificações.

Estive em General Salgado na semana passada revendo parentes e amigos e, como sempre acontece nessas oportunidades, surgem causos que merecem ser lembrados aqui. Dessa vez, o Pedrinho Giamatei me lembrou uma dos tempos em que jogava futebol no esquadrão Salgadense. Ele e o Edmar Prado tinham uma jogada ensaiada que fazia muito sucesso.

Um jogava de centroavante e outro de ponta-direita. Assim que o juiz sinalizava o início da partida, o ponteiro disparava à frente e o centroavante lançava a bola para ele, pegando a defesa toda desprevenida. A jogada sempre dava certo e, por algumas vezes, chegaram a marcar o gol com menos de 30 segundos de bola rolando.

Aconteceu, porém, que o time foi jogar em Buritama e, antes de iniciar o jogo o árbitro avisou ao centroavante e ao meia-direita do time salgadense que observaria um minuto de silêncio em virtude do falecimento de uma pessoa querida na cidade. Enquanto isso o ponteiro salgadense se preparava para partir em direção ao gol, esperando o lançamento e imaginando o sucesso da jogada ensaiada. Como sempre acontece nesses momentos que antecedem o início da peleja, o atleta salgadense se aquecia em movimentos clássicos de alongamento, pequenas corridas, saltos e pedaladas. Concentrado no aquecimento muscular, não ouviu o aviso sobre a homenagem póstuma que seria observada.

O juiz apítou para dar início à contagem do minuto de silêncio, todos se postaram em atitude de respeito e se espantaram quando o ponta salgadense disparou em direção à grande área do time adversário, esperando o lançamento da bola.

O juiz olhou, incrédulo, para os atacantes salgadenses que permaneciam no centro do gramado:

- Esse ponta-direita de vocês é louco ou o quê?

Dizem que o fato é verdadeiro. Só que Edmar e Pedrinho até hoje discutem e não conseguem explicar quem era o centroavante e quem era o ponta-direita do time naquela partida.

terça-feira, 25 de maio de 2010

Memória 89 (Família Cruzeiro)


Família Cruzeiro (anos 90) - D. Leonor Bernabé Cruzeiro e os filhos Marcelo, Maura (Pililica), Amauri, Márcio Aurélio e Marcos.
(foto: Álbum de Marcelo Cruzeiro)

O Antídoto

Como sempre digo, muitos amigos colaboram para a sobrevivência do nosso Proseando, enviando fotos e causos. A maioria conta o fato principal e eu dou um trato no desenvolvimento do enredo. No entanto, o salgadense Leonço Barbosa de Alencar, que há muitos anos vive em Santos (SP), me mandou uma história pronta e muito bem contada, que merece ser reproduzida na íntegra.

A narrativa é do próprio Leonço:

"Fazia um calor medonho naquela tarde de domingo. Nas andanças pelos bares da vida, acabamos nos encontrando: eu, Marcola, Marçal e João Gato. Para dar um basta ao suor, decidimos tomar um banho refrescante no córrego Talhados.

Embarcamos em minha Brasília amarela (que não era só minha, pois fora comprada em sociedade com outros amigos) e rumamos para o local, não sem antes dar uma passadinha pela padaria da Vila Maria para comprar algo que nos ajudasse a refrescar a alta temperatura.

Pensamos em sorvete, água gelada, pedras de gelo e coisas tais e, na dúvida, optamos por uma quantidade razoável de latinhas de cerveja. Para completar compramos também alguns pães, uma boa porção de mortadela e, por pura precaução, caso a água do córrego estivesse muito fria, pensamos em algo para esquentar e aí veio a “boa idéia” de levar também um litro de 51.

Conseguimos uma caixa de isopor emprestada e na hora de embarcar, o Marçal cismou de comprar algumas garrafinhas de guaraná. Não entendemos nada daquele desatino, mas ele nos explicou que decidira tornar-se um homem sério, estava pensando em se casar, constituir família, e portanto havia parado de beber. Jurou por tudo o que era de mais sagrado de que falava a mais pura verdade e se não fora o grande número de pecados outrora cometidos, dir-se-ia que doravante teríamos um amigo franciscano.

Chegamos finalmente ao ribeirão, botamos calção de banho e, literalmente, mergulhamos de cabeça. Depois de algumas braçadas e muita brincadeira na água partimos para cima da munição que trouxéramos.

Eu e o Marcola, irmamente, dividimos o litro de pinga. O João Gato tomou conta da cerveja e o Marçal.... como prometera, dá-lhe guaraná !

O papo transcorria animado, passamos uma tarde agradável e melhor não foi por conta do verdadeiro enxame de borrachudos que nos atacava o tempo todo, o que nos obrigava a tomar um trago, dar uma mordida no sanduba e um mergulho na água.

Hora de voltar para casa. Recolhemos tudo e tomamos o caminho de volta.

No dia seguinte, segunda-feira, o trabalho nos aguardava. Naquela época eu o Marçal trabalhávamos na Prefeitura, eu na Contabilidade e ele no Gabinete do Prefeito Dr. Norival.

Tomei o maior susto quando o vi chegando para trabalhar. Manquitolando, com a dor estampada no rosto, os poucos cabelos em desalinho e um dos pés descalço. Se tivesse sido atropelado, provavelmente estaria com uma expressão melhor.

Perguntei o que aconteceu e ele mostrando-me o pé respondeu que o seu estado deplorável decorria por obra e graça dos borrachudos que nos atacaram no dia anterior. Realmente, dava medo olhar para o pé do rapaz. Estava totalmente vermelho, inchado e redondo, parecendo a pata de um elefante. Mesmo assim insistiu em trabalhar e como não apresentava melhora do longo do dia, resolveu ir ao hospital.

Parece piada de mau gosto, mas o fato é que a emenda ficou pior do que o soneto. Voltou de lá com a cara ainda mais feia, mancando agora das duas pernas num bailado feio e desengonçado, pois tomara uma cavalar dose de injeção na bunda.

Final do expediente, rumamos para o “point” da cidade, a lanchonete do Frota. Chegando lá quem encontramos ? Eles mesmos, o Marcola e o João Gato. Ambos bem humorados e com boa aparência ficaram espantados ao saber do ocorrido ao pobre Marçal que, apesar dos pesares, já estava bem melhor, a injeção do Dr. Kleber fora um santo remédio.

Não foi preciso muita filosofia de botequim para chegarmos à conclusão de que o álcool que havíamos ingerido ao misturar-se ao nosso sangue, servira como um verdadeiro antídoto contra o veneno dos borrachudos.

Então perguntei:

- E aí Marçal, o que você vai fazer ?

Ao que ele prontamente me respondeu:

- Caro amigo Léo, depois dessa.... SÓ TOMANDO UMA !"

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Bar Tribunal

Bar Tribunal, em São Paulo.

Nos anos 80 os salgadenses que viviam na capital paulista sempre se reuniam num restaurante chamado Recanto Goiano. Carlos Oliveira, o famoso Gauchinho, na mesma época foi dono de um pequeno bar em Pinheiros, chamado Distinto, outro ponto de encontro dos conterrâneos. Nice Perez - irmã do Gauchinho - até hoje reúne os salgadenses paulistanos no Recanto Goiano, que ainda sobrevive.

Agora surgiu uma nova opção. O salgadense Marcelo Cruzeiro é dono de um dos bares de maior sucesso na capital paulista, o Bar Tribunal. Localizado em frente ao Fórum Pinheiros o bar tem agradado ao público e à crítica especializada, batendo recordes na venda de cerveja.

Além da cerva estupidamnte gelada a casa serve petiscos de boteco, como escondidinho, iscas de picanha, purê de mandioquinha com parmesão gratinado e porção de linguiça portuguesa.


Bar Tribunal

Mapa para chegar ao Bar Tribunal (clique para ampliar)
Endereço: Rua Jericó, nº 15 (esquina com a Rua Original) - Vila Madalena - SP
Telefone: (11) 3031-7311.

Na minha próxima ida a São Paulo, vou cumprir a promessa que fiz ao amigo Marcelo e conferir de perto o sucesso do Tribunal.

terça-feira, 18 de maio de 2010

Desembargador do TJSP morou em G. Salgado

Desembargador Antonio Benedito Ribeiro Pinto e sua esposa D. Irma Trentin Ribeiro Pinto.

No dia 13 de abril de 2005 o Juiz de Direito Dr. Antonio Benedito Ribeiro Pinto tomou posse como Desembargador do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo.

O Desembargador Ribeiro Pinto formou-se em Direito em 1969 nas Faculdades Toledo de Bauru, cidade onde viveu desde a adolescência.

Antes de ingressar na magistratura foi Oficial de Justiça e Delegado de Polícia. Nesta última função atuou em General Salgado por volta de 1976. Uma de suas primeiras comarcas como juiz foi Garça e, anos depois, foi promovido a titular da 1a. Vara Criminal de Araçatuba.

Junto com os salgadenses Pedro Cervantes, Claudoir Marques, Marli Camargo e Regina Cervantes, tive a honra de ser seu aluno nas Faculdades Toledo de Araçatuba, onde por muitos anos lecionou Direito Processual Civil. O apreço pelo mestre e a admiração por sua dedicação ao ensino do direito ficaram patenteados quando decidimos escolhê-lo como paraninfo da turma.

Aos alunos salgadenses gostava de contar que quanto comandou a Polícia Civil do município morou por algum tempo na chácara do então Prefeito Francisco Assis Cervantes. Ainda tive a satisfação de conviver diariamente com o magistrado Ribeiro Pinto no Fórum de Araçatuba, primeiro como servidor, escrevente de audiências da 3a. Vara Cível; depois, como advogado.

A merecida ascenção do Dr. Antonio Benedito ao TJSP se deu após breve passagem pelo Tribunal de Alçada Paulista. Podemos dizer que se trata de um magistrado íntegro, gentil, sereno, extremamente cordial e respeitoso no tratamento destinado aos advogados e servidores, além de profundo conhecedor do Direito.

Dr. Antonio Benedito no dia da posse como Desembargador do TJSP.

Profissão Repórter



O jornalista Raphael Prado - filho do salgadense Osmar Antonio do Prado - há algum tempo pertence à equipe do programa Profissão Repórter, comandado por Caco Barcelos na Rede Globo de Televisão. Sempre atuou como Editor de Internet.

No programa que vai ao ar às 23:30 hs de hoje (18/05/2010) ele estréia à frente das câmeras.

Desejamos-lhe todo o sucesso do mundo, convocando os amigos salgadenses para prestigiarem o programa.

Raphael Prado - ao lado dos pais Maria e Osmar (Foguinho) e do tio Vilmar.
(foto: Álbum de Vilmar Prado)

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Memória 88 (Festa em 1985)


Festança 1985 - Carlos Cristante (Fininho), Vilmar Prado, Sivone Constantino, Alécio Valeze (Bazé), Lucio Fernandes, Luciana dos Santos e Gilmar Prado.
(foto: Álbum de Verinha Iannela)

Farre-Forra

Por volta de 1995 ou 1996 um grupo de amigos salgadenses decidiu fundar um novo bloco de carnaval. Não sei de onde tiraram o nome: Farre-forra. Até hoje ninguém sabe explicar direito de onde surgiu, mas provavelmente, o esquecimento se deve ao alto grau etílico dos fundadores no momento da escolha. Escolheram o nome e, quando passou a bebedeira, ninguém sabia dizer a razão.

Comandado por Vando Colombo, assessorado pelo inesquecível Marcelo Pereira, o Instalação, o bloco durou apenas três carnavais. Para botar ordem na casa o comandante decidiu aplicar dura disciplina militar sobre os comandados, começando por nomear o Instalação como Sargento. Às vezes promovia reuniões de emergência para solucionar algum problema mais grave, convocando a tropa aos gritos de comando. O altíssimo grau alcoólico, porém, sempre atrapalhava o diálogo com a turma:

- Atenção petolão...

Numa das noites o Gappinha invadiu a casa onde o bloco estava instalado com uma moto. O Sargento Instalação prontamente interveio para deter o abusado e apreender o veículo. Isso sem falar na multa que queria aplicar, revertendo a arrecadação na compra de mais cerveja...

Não demorou muito, porém, para que chamassem a atenção dos vizinhos, que decidiram convocar alguém com conhecimento de causa para intervir no grupo: a polícia militar.

A viatura parou defronte a casa e desceram dois soldados. Percebendo que a coisa ia ficar feia - afinal de contas o barulho incomodava os vizinhos 24 horas por dia - Vando foi tentar conter o ânimo dos milicianos. Depois de quase meia hora de lábia, o policial estava deixando barato quando o Comandante quase pôs tudo a perder, ao tentar avisar os companheiros sobre a solução do problema:

- Pessoal, tá tudo certo, já falei aqui com o nosso amigo, o sargento Pombas...

O militar retrucou enfezado:

- Meu nome é Combas rapaz!

Foi preciso mais meia hora de conversa pra ajeitar as coisas de novo!

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Memória 87 (Carnaval 1975)

Carnaval (1975) - Antes dos bailes de carnaval do Salgadense Esporte Clube os blocos desfilavam pelas ruas da cidade sobre caminhões. Alguém consegue identificar estes foliões de 1975? Mande um e-mail para o Proseando (clique aqui).
Atualização em 24/05/2010 - Sebastião Cardoso, o famoso Tiãozinho da Globo, identificou Leão (de camisa branca e short amarelo), que na época da foto trabalhava como motorista para Juscelino de Oliveira (Celino), dono do caminhão que transporta os foliões.

sexta-feira, 30 de abril de 2010

O Melhor Conselho

As atualizações do Proseando costumam acontecer a cada 10 ou 15 dias. Entretanto, nas últimas semanas diversos compromissos me roubaram tempo. Muito trabalho (graças a Deus), preparação de provas para os cursos (Administração e Contábeis) em que leciono, uma construção em andamento e até mesmo um pulo em General Salgado para renovar a habilitação, foram alguns dos motivos que me afastaram daqui.

Hoje, porém, sexta-feira das boas, não resisti a uma bela mensagem recebida do amigo Alex Galhardo, salgadense perdido pelas bandas do Paraná. A mensagem tem tudo a ver com a terrinha e seus grupos de amigos que tudo fazem para manter intactos os laços de amizade e carinho. Vale a pena postá-la aqui.

"Um jovem recém-casado em visita à casa de seu pai, dividia com ele uma deliciosa cerveja gelada.

Enquanto conversavam sobre a vida, o casamento, as responsabilidades, as obrigações e deveres da pessoa adulta, o pai reabastecia os copos quando lançou um olhar claro e sóbrio para seu filho, e disse:

- Nunca se esqueça de seus amigos! - aconselhou. Serão mais importantes na medida em que você envelhecer. Independentemente do quanto você ame sua família, os filhos que porventura venham a ter, você sempre precisará de amigos. Lembre-se de, ocasionalmente, ir a lugares com eles; divirta-se na companhia deles; telefone de vez em quando...

Que estranho conselho - pensou o jovem. Acabo de ingressar no mundo dos casados. Sou adulto. Com certeza minha esposa e minha família serão tudo o que necessito para dar sentido à minha vida!

Contudo, ele seguiu o conselho de seu pai. Manteve contato com seus amigos e sempre procurou fazer novas amizades.

À medida em que os anos se passavam, ele foi compreendendo que seu pai sabia do que falava.

À medida em que o tempo e a natureza realizavam suas mudanças e mistérios sobre o homem, os amigos sempre foram baluartes em sua vida.

Passados mais de 50 anos, eis o que o jovem aprendeu:

O tempo passa.

A vida acontece.

A distância separa...

As crianças crescem.

Os empregos vão e vêem.

O amor se transforma em afeto.

As pessoas não fazem o que deveriam fazer.

O coração pára sem avisar.

Os pais morrem.

Os colegas esquecem os favores.

As carreiras terminam.

Mas os verdadeiros amigos estão lá, não importa quanto tempo nem quantos quilômetros tenham afastado vocês.

Um AMIGO nunca está mais distante do que o alcance de uma necessidade, torcendo por você, intervindo em seu favor e esperando você de braços abertos, abençoando sua vida!

Quando iniciamos esta aventura chamada VIDA, não sabemos das incríveis alegrias e tristezas que experimentaremos à frente, nem temos boa noção do quanto precisamos uns dos outros...

Mas, ao chegarmos ao fim da vida, já sabemos muito bem o quanto cada um foi importante para nós!"

Pequena observação - Fiz uma pequena alteração no texto original, cuja primeira frase dizia: "Um jovem recém casado estava sentado num sofá num dia quente e úmido, bebericando chá gelado durante uma visita à casa do seu pai". Acho que, em se tratando de General Salgado, seria mais coerente pai e filho dividindo uma boa cerveja.

segunda-feira, 29 de março de 2010

Bar do Toninho

Antonio Rodrigues Mendonça Filho no Bar Central, popularmente conhecido como Bar da Rodoviária, um dos mais antigos e tradicionais da cidade.
O salgadense Marco Antonio Fernandes, o famoso Radar, me enviou texto de autoria de seu filho Matheus Henrique, produzido para um trabalho escolar sobre os prédios antigos da cidade. O prédio enfocado foi o do Bar Hotel e Restaurante Central, o tradicional Bar do Toninho Mendonça, um dos mais antigos da cidade. Ao publicar o trabalho agradeço - mais uma vez - os amigos que colaboram com o blog, sem os quais não teríamos tanto fôlego.

Segundo a pesquisa feita por Matheus Fernandes, o Bar Hotel e Restaurante Central, que está localizado na Rua Euflauzino Theodoro de Castilho esquina com Avenida Antonino José de Carvalho, no centro da nossa cidade, pertence ao Toninho Mendonça desde 1955.

O prédio foi construído em 1946 por João Careca a pedido do primeiro proprietário, o Sr. João Valente. Anos depois foi vendido a Otamar Von Ank que ampliou o bar para nele instalar um hotel e restaurante. Desde a construção o local serviu de ponto de ônibus, atendendo passageiros que se deslocavam pelas linhas municipais e regionais, como Viação VAP (atual Expresso Itamarati) que fazia a linha entre as cidades de Pereira Barreto e São José do Rio Preto. Outras empresas da época: Expresso São Paulo que fazia linha de General Salgado a Jales, e Viação Guerra fazia linha entre Araçatuba e Fernandópolis passando por General Salgado.

Matheus narra que o Bar do Toninho foi palco de vários fatos históricos para a nossa querida cidade, como por exemplo, o lançamento da candidatura de Nadir Garcia em 1956 e da candidatura de Francisco Assis Cervantes anos depois. Lá também ocorreu a morte de Diogo Garcia Carmona, que caiu morto quando convidava o proprietário do bar para um almoço que, dias depois, celebraria o casamento de uma filha.

Merecem destaque como personagens históricos do Bar do Toninho, além de seu proprietário, os funcionários Lau Mendonça, irmão do Toninho que lá trabalhou por mais de meio século, até falecer em 2009, e Carlos Otsuki, que conta mais de 20 anos de balcão. Apesar de não ser mais o Bar da Rodoviária, o Bar do Toninho Mendonça ainda é um dos mais frequentados na Praça da Matriz.

Ao Matheus e ao Radar, nossos agradecimentos pela história.

quinta-feira, 18 de março de 2010

Memória 86 (Flamengo)

Flamengo Salgadense (Anos 60) - Em pé: Paschoal Pompilio, Azilio Prado, Alcides Queiroz, Paraguaio, Lazão, Zé Afonso, Alceu Queiroz e Birolinho. Agachados: Piau, Cido Prado, Arnaldo Regula e Nael Prado. O décimo primeiro jogador devia estar dando entrevistas e não chegou a tempo de aparecer na foto.
(foto: Álbum de Edmar Prado)

Mais Vandenir

Vilmar Prado e Alex Galhardo mandaram mais algumas boas histórias do saudoso Vande Mendonça e eu acabei me lembrando de outra.

Certa vez ele precisou ir a uma repartição pública assinar um documento. O funcionário colocou o papel à sua frente e apontou o dedo para a linha onde ele deveria assinar.

- Assino o meu nome? – perguntou.

- Não, o nome da tua mãe!!! - retrucou o servidor com ironia.

Vande rabiscou o documento e saiu. Minutos depois o rapaz foi conferir a assinatura, estava escrito: Rosalina Mendonça.

Por algum tempo ele foi proprietário de uma lanchonete nas proximidades da Vila Maria. Numa madrugada, Alex Galhardo e outros amigos saíram de uma festa e foram para lá.

- Vande, tô morrendo de fome. Tem algum sanduíche na frente.

O botequeiro saiu até a calçada, olhou para os dois lados e respondeu:

- Sanduíche aqui na frente não tem nenhum...

Nos anos 80 a cidade não tinha diversão noturna. As poucas lanchonetes fechavam cedo. Depois da meia noite não havia nada para fazer. Uma das diversões da nossa turma era pular o muro do Clube e se refrescar na piscina.

Tudo era feito muito em silêncio para não chamar a atenção dos guardas noturnos municipais, nem dos diretores do clube. A turma ia se esgueirando pela beira do muro até achar algum lugar mais ermo. Superado o obstáculo, ainda era preciso tomar cuidado para não fazer barulho no interior do clube e chamar a atenção de algum vizinho.

Numa dessas aventuras estávamos nuns dez. No fim da fila ficamos eu, Serginho Mão Branca e o Vande. Os primeiros pularam o muro e saíram de fininho em direção à piscina. Eu saltei e fiquei esperando os dois últimos. Mão Branca logo surgiu ao meu lado e caminhamos uns 5 metros adiante. Ouvimos o barulho do salto do Vande e paramos para esperá-lo, mas ele demorava. Ao prestarmos mais atenção – estava muito escuro – percebemos que ele tateava pela grama, procurando algo.

- Vande – sussurramos – que é que foi?

- Tô procurando minha dentadura...

quarta-feira, 10 de março de 2010

Memória 85 (Time da Creche)

Creche (ínício dos anos 80) - Este time era formado pela turma que frequentava o campo existente ao lado da Creche e Berçário Nossa Senhora das Dores. Disputava campeonatos municipais e torneios regionais. Em pé: Branquinho, Nei Gordo, Abel, Carreirinha, Carlão, Pedro Mussum, Baianão e Zé Rosa. Agachados: Pepi (com a bola), Julinho, Zé Carlos Rodrigues, Jurandir Castro, Celso Santana (Morais) e Serginho Preto.
(foto: Álbum de José Eustáquio de Carvalho)

terça-feira, 9 de março de 2010

O Samba do Vande

É impossível curtir o carnaval salgadense, rever os bons amigos, relembrar os velhos tempos sem que venha à lembrança histórias do saudoso Vande Mendonça.

Nos anos 80 os blocos não tinham recursos financeiros para que as festas durassem a noite inteira. Logo depois da meia-noite fechavam as portas incentivando o comparecimento dos foliões aos bailes do Salgadense Esporte Clube.

Encerrado o baile, pequenos grupos retornavam aos blocos para tomar as últimas ou reacender a churrasqueira. Isso é o que acontecia quase todas as noites no Bloco Maluko.

Numa dessas madrugadas alguém apareceu com um violão e formamos uma roda de samba, improvisando instrumentos de percussão com cadeiras, panelas, colheres, latinhas de cerveja, algo assim.

A madrugada findava quando o Vande disse que ia cantar uma música de sua autoria e pediu que o violeiro o acompanhasse ao ritmo do famoso samba Volta por Cima do compositor paulistano Paulo Vanzolini, um grande sucesso da época cantado pelo sambista Noite Ilustrada. A letra original é assim:

“Chorei, não procurei esconder, todos viram, fingiram
Pena de mim não precisava,
Ali onde eu chorei qualquer um chorava,
Dar a volta por cima que eu dei quero ver quem dava.

Um homem de moral não fica no chão
Nem quer que a mulher lhe venha dar a mão,
Reconhece a queda e não desanima
Levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima”

Assim que começaram os acordes do violão e a batucada, porém, Vande começou a colocar outra letra na música:

“Peidei, não procurei esconder, todos viram, fedia
Perto de mim ninguém ficava
Ali onde eu peidei qualquer um peidava,
Dar o peido fedido que eu dei quero ver quem dava.

Um homem de moral não peida no salão
Nem quer que a mulher lhe chame de cagão,
Reconhece o cheiro e não desanima,
Levanta sacode a cueca e dá outro por cima”.

Na metade da música o acompanhamento foi parando porque o pessoal não aguentava rir e tocar ao mesmo tempo. Quando ele terminou a última frase, metade da turma rolava pelo chão e outra metade se apoiava nas paredes.

Demorou quase meia hora para terminar a sessão de gargalhadas. O autor da façanha teve que repetir a música umas quatro ou cinco vezes e, em cada uma das repetições acontecia nova rodada de riso.

Impagável!

Achei no Youtube o vídeo da canção original: