segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

Memória 24 (Antonio Mendonça)

Antonio Rodrigues de Mendonça - Chegou a General Salgado em 1951, vindo de Novo Horizonte (SP). Com a primeira mulher, Maria Francisca Leme, teve dez filhos: José (casou-se com a prima Aparecida Rodrigues de Mendonça), Joaquim (Maria Emília), Idalina (Manoel de Paula Carvalho), Brazilina (casou-se com o primo José R. Mendonça Sobrinho), Laudelino (Rosalina Rodrigues), Vicente (Dolores Viudes), Nathal (Luzia Martins), Lourdes (Astoril Thomaz), Leonora (Azilio do Prado) e Antonio Filho (Alexandrina Rodrigues). Viúvo, casou-se em segundas núpcias com Maria Silva, com quem teve o filho Manoel (casado com Olga Maria).

quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

O Dentista e o Barbeiro

Um dos primeiros dentistas da cidade foi apelidado pelos moradores de Dr. Labareda. Não se sabe de onde veio nem se tinha cursado alguma faculdade. Naquele tempo por estas bandas só apareciam práticos, técnicos e curiosos.

O Dr. Labareda foi um dos primeiros a instalar clínica e a dizer que era estudado: “Estudei oito meses em São Paulo, Vila Cachoeirinha!”, dizia. Pronto, já era doutor! O apelido surgiu porque era comum vê-lo derretendo material dentário numa lamparina de chama alta, muito mais alta do que a dos demais. Além disso, era meio estabanado e pouco chegado à assepsia. Durante as consultas e tratamentos mantinha hábitos alimentares, como chupar laranjas e Mexericas.

Certo dia atendeu um paciente que reclamava muita dor de dente. Deixou a mexerica de lado, aboletou o rapaz na cadeira e armou-se de instrumentos. Olhou meio por alto o dente que o moço apontou e diagnosticou:

- Ih! Tem que arrancar. Dente desse tipo só sara se arrancar...

- Mas doutor - retrucou o paciente - o senhor não vai nem ver o dente como está? Será que precisa arrancar? - Meu senhor, eu estudei na capital, eu sei o que estou fazendo. Deite-se aí!

O paciente estirou-se no encosto da cadeira, o Dr. Labareda empunhou uma seringa imensa com uma agulha muito comprida, pedindo para que não se assustasse, pois a anestesia tornaria indolor o tratamento. Enfiou a ponta da imensa agulha na boca do moço, injetou parte do anestésico e inquiriu:

- Formigou um pouco?

- Hã-hã – gemeu o rapaz, negando.

O doutor introduziu mais um pouco a agulha, injetou outra parte do líquido e repetiu a pergunta:

- Formigou?

- Hã-hã.

Sem ligar para os gemidos de dor do paciente o Dr. Labareda enfiou o restante da agulha, injetou todo o resto do anestésico, retirou a seringa e perguntou:

- Agora formigou né?

- Doutor, formigar não formigou não, mas o senhor molhou toda a gola da minha camisa!

Uns dois meses depois o Dr. Labareda sumiu da cidade e nunca mais deu notícias. Diz o Pedrinho Giamatei que ele voltou para São Paulo: deve estar trabalhando no fura-fila!

Acho que Mário Barbeiro e Carolino dos Santos (o saudoso seu Kalu) estão entre os primeiros barbeiros que se instalaram na cidade. Seu Kalu deve ter sido o que mais tempo esteve na ativa. Sami Cheida também foi dos primeiros, mas me recordo que na Avenida Diogo Garcia, perto da esquina com a Rua Dr. Bruno Martins, em frente a sapataria do seu Zinho Sapateiro (João Raymundo), havia uma outra barbearia antiga, do Sr. Avelino Leite.

Como o seu Avelino era crente, evangélico, o salão era freqüentado quase que exclusivamente pelos irmãos de igreja. Muito religioso, assíduo freqüentador dos cultos da Congregação Cristã e muito entendido nos assuntos bíblicos, tinha o hábito de falar o tempo todo sobre religião, sobre o evangelho e demais temas da irmandade.

O funcionário de uma fazenda, recém chegado na cidade, sem saber que a freguesia do seu Avelino era formada basicamente pelos irmãos de crença, sentou-se na sua cadeira certo dia e pediu para raspar a barba.

Muito solícito e educado o barbeiro regulou o encosto, acomodou o rapaz, amarrou-lhe um avental branco, preparou a espuma de barbear, lambuzou o rosto do moço com o pincel de espuma e amolou a navalha numa tira de couro que ficava dependurada debaixo da pia.

Puxou assunto com o cliente; o que fazia, de onde vinha, onde trabalhava. Percebendo que o moço era novato na cidade, levou a conversa para a religião, quis saber se freqüentava alguma igreja, convidou para os cultos da Congregação. A conversa foi se aprofundando no tema e o rapaz ia respondendo na medida do possível, no mais das vezes com monossílabos, com bastante timidez.

Quando ia começar o serviço o barbeiro encostou a navalha no pescoço do rapaz e, distraidamente disparou:

- Me diga uma coisa, o senhor está preparado para ir para o céu?

O rapaz estalou os olhos, deu um salto na cadeira e saiu em desabalada carreira rua abaixo levando o avental atado ao pescoço e a cara cheia de espuma.

Deve ter corrido uns quinze dias!

domingo, 9 de dezembro de 2007

Memória 23 (Primeira Comunhão, 1974)

Marcos Faria, Padre Victorino, Carlos José (Cal) e Kiko Righi.
(foto: Álbum do blogueiro)


Nova Castilho, 1974 - Igreja de São José - Alunos do catecismo da Professora Helena Longhini, no dia da Primeira Comunhão.
Fila de trás: Albina, Lurdes Aleixo, Maria Olívia Garcia, Marcos Faria, Helena Longhini, Valdenir, Padre Victorino Liñan Hitos, Sandra Feitosa e Cassilda Marques.
Fila da frente: Vanda de Grande, Cássia Marques, Lena Faria, Ângela Cavenage, Roseli, Carlos José (Cal), Kiko Righi, João Batista, Vanderci de Grande, Izabel Zanini e Rosemeire Sumaia.
(foto: Álbum de Vanda de Grande / Jornal A Gazeta da Região)

Padre Victorino

A primeira vez que me lembro de ter visto o Padre Victorino Liñan Hitos foi folheando o álbum de fotografias do casamento de meus pais – Domingos e Cida -, isso quando eu ainda era menino novo lá em Nova Castilho. Os registros mostravam um padre moço, jovial, cabelos negros, olhar límpido e sereno.

Nós já havíamos nos encontrado antes, mas não guardei lembrança da cena em que ele borrifara água benta sobre minha cabeça - eu nos braços de vovó Arandira, segundo me contaram - no dia em que fui batizado. Sou como podem ver, apenas mais um dentre tantos outros salgadenses que ele abençoou, sem falar naqueles outros tantos que ele casou e depois tudo repetiu com filhos e netos.

Nascido na cidadezinha espanhola de Motril, nas proximidades de Granada, região da Andaluzia, Victorino foi mandado ao Brasil ainda estudante. A Congregação dos Padres Agostinianos à qual pertencia resolveu transferir seus discípulos para as pacíficas terras brasileiras, fugindo aos conflitos da guerra civil espanhola. Concluídos os estudos eclesiásticos, foi ordenado no dia 9 de maio de 1937, em Ribeirão Preto onde permaneceu por nove anos.

No dia 6 de agosto de 1955 chegou a General Salgado, paróquia então pertencente à Diocese de São José do Rio Preto. Identificou-se tanto com os paroquianos, que mesmo depois da mudança da diocese para Jales e da sucessão de bispos, entendeu-se como impraticável a sua saída de General Salgado. A cidade tinha o seu padre e todos desejavam que ele ali permanecesse para sempre.

Freqüentei as aulas de catecismo da Professora Helena Longhini, que eram ministradas depois do horário escolar, na casa de dona Cida Toledo, em Nova Castilho. Antes da primeira comunhão tivemos algumas aulas com o Padre. Guardávamos certo receio de sua aparente severidade, e ficávamos impressionados com a capacidade que ele tinha de conhecer todas as famílias, identificar as pessoas, saber onde moravam, essas coisas. Lembro-me que numa das aulas, com certa timidez lhe perguntei como é que se conversava com Deus, e a resposta jamais foi esquecida:

- A gente conversa com Deus através do coração!

Depois que me mudei para a cidade passei a freqüentar a Cruzada, um grupo de adolescentes católicos dirigido por Dona Lucila Veschi e que se reunia semanalmente no Salão Paroquial. Reuniões nas noites de segunda-feira, missa no domingo pela manhã (tínhamos que usar sobre a camisa branca uma faixa diagonal amarela) e um piquenique por mês na Lajinha.

Em todos esses momentos havia a participação circunspeta do Padre Victorino. Havia no grupo uma pequena disputa interna para atuar como coroinha nas missas de domingo, atividade na qual os irmãos Pio e Mané Bernabé eram quase imbatíveis. Além de chacoalhar as sinetas durante a celebração, o que a gente mais gostava era de subir na torre da igreja para dar corda no relógio da matriz.

Aos domingos ele costumava almoçar com os amigos, organizava um tipo de rodízio para contentar a todos. Muitas vezes fomos companheiros de mesa durante o lauto e tradicional almoço dominical de dona Marleine Seraphim.

A cada vez que saía da cidade para visitar a terra natal levava consigo um pequeno travesseiro recheado com terra recolhida de um dos canteiros de flores da praça. A quem lhe pedia explicação dizia simplesmente que se morresse longe de General Salgado ao menos lhe restaria o consolo de repousar para sempre sobre a terra salgadense.

Viajou à Espanha pela última vez quando completou 80 anos, em 1992, e por uma armadilha do destino, lá caiu doente necessitando longo período de recolhimento. Nunca ocultou, no entanto, o desejo de tornar à terra adotiva e tanto insistiu que foi capaz de reunir forças para a viagem.

Foi recebido com júbilo, carreata e foguetório e todos os salgadenses fizeram questão de demonstrar a saudade e imensa estima para com o bom pároco. O rebanho se regozijou ao rever a figura do esmerado pastor.

Praticamente imobilizado pela fraqueza decorrente da avançada idade e das seqüelas de um derrame, avistei-o pela última vez alguns meses depois do seu retorno, durante a tradicional Quermesse no Largo da Matriz.

Preso à cadeira de rodas ele ainda atentava para aqueles que procuravam estimulá-lo. Nos seus olhos resistia um lastro de entusiasmo e de satisfação por estar entre o povo que tanto amava. Meu pai quis testar-lhe a memória corroída pela debilitada saúde: “O senhor se lembra de mim?”. Levantou com dificuldades a mão direita trêmula apontando para o horizonte e sussurrou:

- Lá do Lambari! – a voz soou tremeluzente.

Remoendo a emoção de revê-lo e de senti-lo vívido, apesar das aparências, rememorei a cena em que ele encarou um pequeno e curioso aluno do catecismo, que aos oito anos de idade queria saber como se comunicar com Deus: “a gente conversa com Deus através do coração!”. Compreendi naquele instante o quanto Deus se comunicara com os salgadenses através do Padre Victorino.

Os ares da terrinha foram capazes de prolongar-lhe a vida por mais cinco anos, até que – por uma estranha coincidência do destino – no dia 6 de agosto de 2000, exato dia em que se comemoravam 45 anos de sua chegada à cidade, os salgadenses deixaram de lado suas atividades comuns para homenagear e conduzir à última morada o homem que empenhou sua vida em favor do povo que Deus lhe confiara. Contava 87 anos de idade.

O Bispo D. Demétrio Valentini fez questão de registrar suas homenagens, anotando que ao levar o Padre Victorino para sua companhia no mesmo dia em que havia chegado a General Salgado, quarenta e cinco anos atrás, Deus colocou, misteriosamente, o selo de sua Providência no testemunho que o amado pároco nos deixou: “a história mostra que é sobre o túmulo dos mártires que foram construídas as igrejas”, disse Dom Demétrio, “a Diocese agradece a Deus a herança que o Padre Victorino nos deixou, como baluarte de fé e testemunho de autenticidade cristã. Sua memória será guardada, com respeito e veneração. O Padre Victorino viverá, para sempre, no coração do povo que ele tanto amou”.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

Respeitável Público!

Largo da Praça de Nova Castilho nos anos 70 - Igreja de São José

Criança pequena lá em Nova Castilho tinha poucas opções de diversão: quermesse, festa junina e circo. Nem Parque de Diversões existia. De vez em quando surgia um Circo de Touradas ao qual a gente tinha acesso franqueado porque vovô Braz Firmino emprestava o gado para os toureiros fazerem suas peripécias. Eu gostava do show e também dos nomes dos toureiros: Capa Preta, Parafuso, Terra Roxa...

Na Praça havia um amplo e deserto Largo e ao lado da Igreja a Barraca-Bar, onde eram realizadas as quermesses. Não existia tômbola, bingo, estes jogos de azar pelos quais os participantes teimam a noite toda para ganhar um franguinho assado. Muito menos aquele sujeito gritando no ouvido da gente os números sorteados: "dois machados num pau só: setenta e sete"; "dois patinhos na lagoa: vinte e dois"; "olha o cheiroso: vinte e quatro".

Naquele tempo só havia o leilão e uma disputa entre amigos onde um arrematava a prenda e oferecia ao outro de presente. Logo depois o amigo retribuía o mimo. Em Castilho o locutor da quermesse era Armindo Thomaz, o Doca da Farmácia.

Como não existia Festa do Peão com show musical, a única oportunidade de assistir apresentações de artistas (do disco, do rádio e da televisão, como anunciavam os potentes alto-falantes) era nos circos, e todos, invariavelmente, duplas sertanejas.

Em Nova Castilho assisti pela primeira vez e maravilhado, a minha dupla caipira preferida: Tião Carreiro e Pardinho. Antes do show havia o drama, como eram chamadas as encenações teatrais nas quais os músicos se misturavam aos circenses. A molecada ficava tentando adivinhar qual dos personagens era o cantor.

Mesmo quando me mudei para a cidade os circos ainda eram as grandes atrações para a garotada. Eram montados no Campo de Futebol da Creche ou em frente à Delegacia de Polícia. Neles assisti, pela primeira vez, uma dupla que era a sensação do momento: Milionário e José Rico. No circo lotado parecia que não caberia mais uma única pessoa. Onde um tirava o pé o outro punha.

Havia também o circo do Tony e do Paçoca, o Gran Circo Argentino. A princípio eu não entendia bem por que é que a garotada lotava as matinês e queria voltar à noite com os pais. Depois fiquei sabendo que a maior atração do circo era a bailarina. A garotada babava ao vê-la dançando porque ela era salgadense e casada com o dono do circo.

Contam que Rita Veschi foi - a seu tempo - a moça mais bonita de General Salgado e que o seu casamento com o Tony, dono do Circo Argentino, causou um alvoroço na cidade, dado o desespero dos adolescentes apaixonados por ela que não se conformaram com a perda. A consolação dos chorões era vê-la dançando no circo.

No Circo Argentino certa vez assisti Chitãozinho e Xororó como atores num dramalhão daqueles bem sentimentais e trágicos, tipo novela mexicana. Naquela época ninguém diria que eles chegariam tão longe.

As lutas livres também faziam sucesso e delas participavam mulheres boas de briga. Anunciavam a "Mulher Montanha, a lutadora mais forte da face da terra", e outras gladiadoras com nomes sugestivos e a equipe circense saia pelas ruas convocando os citadinos de coragem a enfrentarem as feras.

Existia um salgadense que encarava tais lutas, o João Gato (João Domingos Ferraz Liebana). Desde moleque era metido a briguento, queria bater em todo mundo, e quando o circo oferecia a chance lá ia ele enfrentar as lutadoras.

Era um grande espetáculo, com parte do público torcendo pelo salgadense e a maioria gritando para que aquele mulherão (literalmente falando) lhe acertasse uns sopapos. No dia seguinte ele adorava sair às ruas para ouvir os comentários sobre a contenda, e quando exibia um olho roxo ou um arranhão no rosto se apressava em justificar:

- Vocês não viram o estrago que eu fiz naquele brutamonte!

A molecada gostava tanto de circo que, encerrada a semana de espetáculos, todos corriam a montar cirquinhos nos quintais, cercados por lençóis e cobertores sorrateiramente emprestados das mães. Meus vizinhos Renato Fantini, Cássio de Vergílio, Celso Cardoso, Élio de Freitas e Serginho Guimarães, eram os mais animados. O ingresso era um determinado número de palitos de fósforo. Na casa do Renato Fantini o circo era mais requintado, com tabuleiros, jogos de argolas e prêmios com balas e chicletes.

De certa feita resolvi eu montar um circo no fundo do quintal de casa. Meu amigo Ivan de Morais era o aluno mais engraçado da minha sala na Escola Ângelo Scarin, contava piadas, fazia imitações, era talentoso.

Convidei-o para fazer um show no meu circo e ele topou. A vizinhança lotou a garagem e, depois das apresentações iniciais colocamos o artista no palco. Ele disparou a contar piadas cabeludas (a assistência era toda menor de doze anos) e minha irmãzinha Cleire (que devia ter uns seis, sete anos) levantou-se de seu lugar com ares de inconformada, subiu no improvisado palco e sapecou de tapas o espevitado Ivan.

Foi um sucesso. A platéia riu muito, soaram palmas e apupos, todos adoraram a cena. No dia seguinte tentamos um repeteco sem êxito, ninguém riu como no dia anterior. Encerrei aí a minha carreira de dono de circo e acredito que o Ivan também abandonou os picadeiros depois daquele dia.

Mas o fato mais engraçado acontecido nos circos salgadenses foi com outro personagem que aprontava muito: Mauro Sérgio Castilho, filho do Vando Castilho.

Existia uma cantora que sempre repetia a mesma música. Era uma música horrível, com um refrão sofrível, que repetia o tempo todo: “Ai que vontade de comer goiaba, ai que vontade de comer goiaba”.

Não mais suportando a renitente melodia, Mauro Sérgio entrou no circo com um embornal a tiracolo e ninguém entendeu o motivo. Quando a cantora chegou ao refrão ele abriu o embornal:

- É goiaba que você quer? Então, toma! - e despejou um saco de goiabas nos pés da moça.

No show do dia seguinte ela mudou o repertório.

quinta-feira, 29 de novembro de 2007

Memória 22 (Wilson e Claudina)

Claudina Marques e Wilson Gonçalves - Claudina é filha do casal Joana e Salustiano Luiz Marques; Wilson é filho adotivo de Maria e Firmino Luiz Marques. O casal tem nove filhos: Ademar, Jair (casado com Luzia Garbi), Lucilene (Carlos Fernandes), Leomar (Jorge Tavares), Nivaldo (Aparecida Paiva), Elza (Valdenir Cevada), Leonilce, Norival (Rosângela) e Lucélia (Edward de Oliveira). Com 9 anos de idade, Wilson conduziu um carro-de-boi no mutirão feito para ampliar as ruas da Vila Palmira, em 1932.
Fotos: Álbum da Família Marques

quarta-feira, 28 de novembro de 2007

Memória 21 (Braz Firmino Marques)

Braz Firmino Marques - filho do casal Maria e Firmino Luiz Marques, nasceu em Nova Castilho no dia 03/02/1917, casou-se com Arandira de Seixas, nascida em 13/03/1924, filha dos pioneiros Andrelina e Alvino Bernardino de Seixas. Tiveram dois filhos: Aparecida (casou-se com Domingos Rodrigues de Almeida) e José Voltair, conhecido como Zé do Braz (casou-se com Dalva Delafine).
Na foto: Arandira, Braz, Zé, Cida, Cal e Domingos.
(foto: Álbum do blogueiro)

segunda-feira, 26 de novembro de 2007

Tachinha

Chamava-se Laércio e, contando mais de trinta anos, vivia perambulando pela cidade carregando por sobre os ombros uma caixa de engraxate. Ficava por ali nas imediações do Bar do Toninho Mendonça. Fumava, bebia e brincava com todo mundo ainda que fosse, ao mesmo tempo, maltratado por todos ou, alvo predileto de brincadeiras e gozações.

Acho que o Tachinha viveu por mais de quarenta anos e durante todos eles sofreu a ausência de recursos e de atendimento especializado para excepcionais, que só foi superado quando criou-se na cidade uma unidade da APAE. Por conta deste abandono e do modo como viveu, foi mais um dos personagens folclóricos da cidade.

Vivia filando cigarros e trocados de todo mundo, nos diversos locais que freqüentava diariamente, escritórios, bancos, repartições públicas. Oferecia-se para engraxar sapatos e diante da negativa do possível freguês, acabava serrando uns cruzeiros para o almoço.

Certa vez deu de furtar pequenos objetos e acabou tomando umas bordoadas de policiais militares. Por conta disso um delegado que tentava mostrar serviço lavrou várias ocorrências policiais contra o infeliz.

Recém chegado à cidade, um Juiz de Direito “linha dura” verificou aquele grande número de ocorrências policiais contra o tal Laércio, vulgo Tachinha, e andou comentando pelos corredores forenses que possivelmente se tratava de um marginal de alta periculosidade e que, por certo, mereceria dura reprimenda penal.

Certo dia o magistrado assistia do alpendre de sua casa o cair de intensa chuvarada, quando avistou um indivíduo estranho correndo sob o pesado toró, rolando pelas poças d´água e fazendo guerra de lama com outras crianças de rua. Inquiriu um vizinho, querendo conhecer a identidade do deficiente mental, ao que lhe responderam:

- Aquele é o Tachinha!

No dia seguinte, dando-se conta do equívoco cometido pela polícia militar, pelo delegado e pelo juízo premeditado que fizera das ocorrências policiais existentes no Fórum, deu imediato fim aos processos, não só pela verificação do quanto era inofensivo o “delinquente”, mas também por sua incapacidade civil e penal, que redundava em inimputabilidade.

Não sei se é verdade, mas Tachinha vivia contando para todo mundo que fora vítima de abuso sexual. Parece que, sem compreender a situação por conta de sua total incapacidade, andara fazendo troca-troca com a molecada. Quando lhe perguntavam os nomes dos “parceiros” ele não titubeava em nomeá-los com voz afônica inconfundível.

- Mike, Vande, Calão, Dabeto...

Perguntavam-lhe quais eram as pessoas que mais gostava e ele ia dizendo nome por nome, principalmente aquelas que lhe dispensavam os trocados do cigarro e do sanduíche. De repente alguém colocava na lista o Cabo Eurípedes e ele, imediatamente, fechava a cara, fazia um muxoxo e saía do local chorando, lembrando as bordoadas que tomara no interior da delegacia.

Muitos anos antes de Tachinha, existiu em Nova Castilho um outro excepcional, conhecido por Nego. Tachinha padecia da Síndrome de Down, Nego era deficiente mental, retardado. Também era vítima de troças e zombarias, porém, muito bem tratado pela família. Tinha um irmão chamado Sebastião e várias irmãs.

Leonardo era um peão que trabalhava para tio João Firmino, muito competente, mas também muito ladino. Vivia “namorando” as irmãs de Nego. De vez em quando, retornando da lida, encontrava alguma delas pelas estradas na companhia do irmão. Apeava do cavalo e pedia para o Nego segurar-lhe o animal dando desculpas de que precisava se aliviar no mato. Sem que o irmão percebesse a moça saía de fininho e entrava no matagal acompanhando o boiadeiro. Nego esperava alguns minutos e, impaciente, gritava pelo dono do cavalo:

- Nardo, eu vou sortá teu cavalo!

Do meio do mato, a poucos metros de distância e sem interromper o namoro, Leonardo respondia, pedindo para que ele ficasse firme na vigilância do animal.

- Não solta não Nego, segura que eu já tô indo!

Dali alguns minutos nova ameaça:

- Nardô! Eu vou sortá teu cavalo!

Quando seu irmão Sebastião faleceu, durante o velório o Nego procurava um por um os conhecidos para se lamentar:

- O Bastião nunca tinha morrido. Morreu hoje!

E aos que lhe consolavam e lhe rendiam pêsames, acrescentava:

- E deixou uma camisa novinha sem usar, branca da cor de povil... (polvilho).

segunda-feira, 19 de novembro de 2007

Memória 20 (Orozimbo Barão)

Orozimbo de Carvalho - filho do fundador Antonino José de Carvalho (Tonico Barão), nasceu no dia 18/09/1889 e foi um dos primeiros moradores da cidade. Sua primeira mulher, Ester Pereira de Carvalho (nascida em 16/06/1891) faleceu em 14/05/1954. Anos depois casou-se com dona Laura de Carvalho. Era conhecido como Orozimbo Barão e faleceu em General Salgado no dia 17 de agosto de 1974.

Advogado Sem Diploma

A turma de amigos do Jaburu (José Giamatei) da qual faziam parte Zé do Braz, Orlando Ascêncio, Zé do Leite, Preto Cornélio, Tonho Branco, Zé Prego, William Zancaner e outros, era fértil em festas e armações.

Num carnaval em meados dos anos 70 eles construíram um boneco de boi, parecido com esses que se usam nos folguedos do Bumba-meu-boi, e saíram pelas ruas da cidade. O condutor do boi era o Preto Cornélio, que saia chifrando todo mundo na rua. Enquanto isso os demais iam desfilando a aprontando brincadeiras com os transeuntes.

A turma costumava se reunir nos finais de tarde na loja de produtos veterinários que o Jaburu tinha na Avenida Diogo Garcia, ao lado da antiga Farmácia do Marino Secches. Dali combinavam festas, churrascos e troças.

Num sábado à noite estavam tomando umas cervejas na ZBM (zona do baixo meretrício). Naquele tempo, final de semana sem baile era final de semana sem vida noturna na cidade, pois os bares fechavam cedo.

Todos bebiam e se divertiam quando ouviram um barulho estranho lá fora, um carro chegou a toda velocidade, levantando poeira, e dele desceram dois desconhecidos bastante embriagados, no estilo "cercando frango".

Ocuparam uma mesa e deram a entender, pela conversa, que se tratava de pai e filho. Começaram a botar banca, se mostrando arrogantes, dando ordens aos presentes, garganteando, ofendendo as moças do local.

Notando a empáfia dos forasteiros, Orlando Ascêncio foi até o quintal e voltou em seguida, dirigindo-se ao mais velho de forma educada:

- Por favor, o senhor é o dono daquele carro verde estacionado lá fora?

Diante da resposta positiva prosseguiu:

- Por gentileza, venha aqui fora ver o que o senhor fez!

Os dois se levantaram e se dirigiram até os veículos. Orlando mostrou que ao lado do carro verde havia um outro carro com a porta amassada. Indicou o estrago aos dois:

- Olha só o que vocês fizeram! Chegaram de qualquer jeito, fazendo bagunça, cantando pneu, levantando poeira e acertaram a lataria do meu carro.

Foi uma confusão danada, os dois negavam, diziam que não tinham amassado carro nenhum. Os demais incentivavam o Orlando e ele prosseguiu:

- Eu não posso ficar no prejuízo só porque vocês dois saíram por aí fazendo bagunça! Vocês é que sabem, ou me pagam o conserto ou eu vou devolver o estrago para vocês.

Apossou-se de um pedaço de pau e fez menção de quebrar o pára-brisa do outro automóvel.

- E tem mais - avisou - depois que eu quebrar o carro eu quebro vocês dois na pancada! Seus bêbados vagabundos!

Nisso os dois pediram calma, se desculparam pelo acidente, chamaram o Orlando e os amigos para dentro, pagaram uma rodada de cerveja, o mais velho sacou do talão de cheques e pagou o prejuízo. O cheque era de mil cruzeiros, que na época correspondia ao famoso “barão”. Dava pra comprar uma porta nova e ainda sobrava um troco.

Os salgadenses saíram imediatamente do local e foram para a Lanchonete do Zé Frota, onde eu estava. Eu tinha meus quinze, dezesseis anos. Sem que eu entendesse o motivo, tio Zé do Braz tirou do bolso o cheque de mil cruzeiros e me deu, dizendo para gastar como quisesse. Um barão era o meu salário de quatro ou cinco meses. Na mesma hora troquei o cheque com o Frota e então eles resolveram contar a história de como tinham recebido a grana.

O detalhe é que o carro amassado não era do Orlando, era do Zé do Braz, e o estrago na porta tinha acontecido no mesmo dia lá em Nova Castilho, quando ele, vindo para a cidade, passara correndo sobre um mata-burro quebrado.

Terminado o relato, Zé do Braz cumprimentou o Orlando:

- Vai ser advogado bom assim lá adiante! Melhor do que eu! Pode ir lá em casa amanhã buscar o meu diploma!

segunda-feira, 12 de novembro de 2007

Memória 19 (Maria Cândida Marques)

Maria Cândida Marques - Filha de Vicência Candida da Silva e neta do pioneiro João Cândido da Silva, que veio para o interior paulista por volta de 1896. Maria Cândida chegou à região em 1906, com apenas 17 anos, na companhia do marido Firmino Luiz Marques (embaixo à direita). O casal teve cinco filhos: Luiz Firmino, Izaura, Altina, João Firmino, Julieta e Braz Firmino, e ainda adotou um sexto: Wilson Gonçalves. Maria faleceu em 1930, com apenas 41 anos de idade.
(fotos: Álbum da Família Marques)

Políticos de Primeira Viagem

Na capital paulista existe um bar próximo à Avenida São João que é tido como o ponto de encontro dos políticos do interior. Durante a semana é muito comum encontrar as mesas ocupadas por prefeitos, vereadores, secretários e outros tipos de "aspones" (assessores de porcaria nenhuma) interioranos.

Um Prefeito da região de General Salgado, inexperiente nas coisas da cidade grande, ou seja, puro sertanejo, entrou no bar acompanhado de seu séqüito, e foi reconhecendo os colegas que se preparavam para o almoço, até que um deles o convidou, mostrando os pratos do couvert:

- Sr. Prefeito, como vai? Não quer se sentar aqui e comer conosco?

E o prefeito, vendo que os assessores já se acomodavam mais ao fundo, desculpou-se, espetando o palito num dos petiscos do prato do amigo:

- Me desculpe, vou me sentar mais ao fundo com o pessoal da minha cidade, mas pra não desfazer do convite vou comer um "conosquinho" desse aqui!

Sentou-se à mesa com os auxiliares e o garçom se aproximou para recolher os pedidos, dirigindo-se à autoridade maior:

- Senhor Prefeito, o senhor já escolheu seu prato?

- Se não tiver de ferro agate, pode ser de louça mesmo, daqueles de florzinha!

Numa comitiva de políticos salgadenses à capital, havia um marinheiro de primeira viagem, que nunca tinha pisado o solo paulistano. Durante o trajeto foram ultrapassando vários caminhões carregados de banana e ele inquiriu os demais:

- Pra onde é que vai tanta banana?

Quando lhe responderam que o destino das frutas era a capital ele não acreditou, ficou remoendo e dizendo para si mesmo que seria praticamente impossível uma única cidade consumir cargas e mais cargas de banana. Assim que o carro adentrou a marginal e ele botou os olhos pela primeira vez na capital, espantado com o tamanho da cidade, lembrou-se do cortejo e reconheceu:

- Meu Deus do céu! Haja banana!

O debutante também nunca tinha freqüentado um restaurante. Depois do expediente a comitiva resolveu almoçar num daqueles bem chiques. Envergonhado porém orgulhoso, pensou que escondendo dos demais a ignorância ficaria livre da chacota, da gozação. Imaginou que para sair incólume e não passar vexame bastaria acompanhar os pedidos dos companheiros mais experientes: "o que um pedir eu peço também", vaticinava.

O garçom se aproximou, começou a tomar nota dos pedidos e ele ficou assuntando, esperando vez. Mas o barulho do ambiente prejudicava sua audição, não entendia direito o que estavam pedindo. Quando entendia, não compreendia que tipo de comida poderia ser aquele, estava habituado a "arroz, feijão, bife, ovo", e ouvia algo como: Filé à Cubana; Filé Chateaubriand; Strogonoff; Vitela, Escabeche...

Quando o garçom se aproximou e perguntou-lhe sobre a escolha, ele não tinha conseguido captar o nome de nenhum dos pratos e resolveu não arriscar:

- Eu quero o mesmo que o meu amigo aqui do lado.

Não deu nem tempo de se sentir aliviado e o garçom complicou a vida dele de novo:

- E para acompanhar senhor?

Pensou, pensou e antes que os amigos pudessem perceber a sinuca em que se havia metido, disparou:

- Tem farinha?

Memória 18 (Julieta e Izaura)

Julieta Marques - Julieta, os filhos Araídes (casou-se com Armindo Thomaz) e Toninho (Marli Santos), e o marido Ângelo Jacomino.

Izaura Castilho e a neta Ielza Marques - Julieta e Izaura eram filhas do casal Maria e Firmino Luiz Marques. Izaura casou-se com Jonas Paula de Castilho, com quem teve os filhos: João Paula de Castilho (casou-se com Maria Freitas), Julieta (Pedro Norberto Marques), Aparecida (Jonas Pereira de Carvalho), Olegário, Hipólito, Manuela (Edélio Vieira) e Fermina (Vicente de Paula Oliveira).
(foto: Álbum da Família Marques)

segunda-feira, 5 de novembro de 2007

Zé Guilim

Tio Zé Guilim (José Rodrigues de Almeida) saiu de Minas Gerais em meados da década de 1930 e veio morar em General Salgado, na Fazenda do irmão Álvaro, meu avô paterno. Era um sujeito sério, quase não ria. Duro na criação dos filhos, no relacionamento com os empregados. Tinha pavor de modernidades, o que talvez tenha herdado do pai, Miguel Rodrigues.

Quando surgiram os primeiros automóveis na região, os vizinhos e conhecidos motorizados paravam na estrada tentando dar carona ao bisavô Miguel. Ele não só recusava como ainda destratava o amigo, dizendo que preferia andar a pé:

- Pode tocar adiante o seu catingudo!

Catingudo porque os primeiros automóveis exalavam forte cheiro de combustível. E a recusa se dava ainda que marchar a pé da cidade até o Lajeado demandasse umas cinco horas.

Parece que as máquinas e aparelhos surgidos no início do século vinte assustavam os mais antigos. Tive outro tio-avô, o Chico Molhado, que quando avistou a primeira televisão ficou estupefato, pasmado. Depois de assuntar por algum tempo aquela caixinha estranha e luminosa, mostrando a imagem escura e quase apagada de um homem conversando sozinho, perguntou aos sobrinhos:

- Esse homem aí tá me vendo?

Diante da resposta negativa continuou na dúvida:

- Então porque é que ele tá apontando o dedo pra mim e falando "ei você aí"!?

Já o vovô Braz Firmino procurou instruir-se melhor e compreendeu muito bem como funcionava o estranho aparelhinho, por isso, quando via as mulheres da família acompanhando com sofrimento e dor os capítulos chorosos das novelas, estranhava muito:

- Não sei pra quê esse desespero, isso aí é tudo mentira! É tudo combinação, não tá acontecendo de verdade não! Onde já se viu vocês chorando por causa dessa mentirada!

Tia Ordália, solteirona, casou-se com o viúvo Chico Molhado aos 45 anos de idade. Anos depois perguntaram a ela sobre o casamento, se não se arrependera de não ter se casado antes. Ela confessou:

- Eu me casei muito nova, desperdicei minha mocidade!

Com essa declaração eu acho que ela assustou toda a família. Talvez venha daí o hábito familiar de casamentos tardios...

Tio Zé Guilim tinha pavor de máquina fotográfica. Nunca ninguém tinha conseguido retratá-lo. Ao ver alguém empunhando ou apontando a maquininha para o seu lado ele virava o rosto e avisava sério:

- Não me aponte essa tal de codaca seu indivíduo, tografia não meu caro!

Certa vez em Itapagipe (MG), durante a festa de casamento do primo Arlindo, filho dele, consegui tirar-lhe o retrato depois de muito malabarismo, colocando alguém para distraí-lo e me escondendo por detrás de outras pessoas.

Durante algum tempo morou em Santa Fé do Sul onde emprestou dinheiro a terceiros. Depois que voltou a morar em Salgado, de vez em quando montava num ônibus e ia até Santa Fé receber os dividendos. A cada vez que retornava trazia debaixo do braço um novo par de botinas.

Antigamente os calçados não vinham em caixas. O sujeito comprava um par de botinas, amarrava uma de encontro à outra e pronto. Pois um dos sobrinhos estranhou que todo mês o tio Zé Guilim aparecia com botinas novas e o inquiriu:

- Ô Tio, porque é que todo mês o senhor compra botinas novas?

Foi aí que ele explicou:

- É pra enganar ladrão, meu caro! Eu recebo um pacote de dinheiro e não sou louco de vim com aquela dinheirama no bolso. Enfio tudo dentro das botinas. Você acha que alguém vai desconfiar que dentro de um par de botinas tenha um monte de dinheiro?

Na fazenda ele guardava o dinheiro dentro de uma lata de banha escondida debaixo da cama.

Naquele tempo os meios de transporte eram poucos e o acesso aos locais muito mais difícil. Era comum que as visitas permanecessem por vários dias na casa do anfitrião. Certo dia recebeu a visita de uma conhecida meio aparentada, que veio apresentar o marido.

A mulher tratava o esposo por "Bem". Para todo canto que andou, ciceroneada pelo Zé Guilim, a mulher só se dirigia ao esposo dessa forma. Era Bem pra lá, Bem pra cá.

No final da tarde ele resolveu convidar o moço para ir até a sede da fazenda, tomar um café e prosear com os demais. Chamou-o pelo que acreditava ser o seu prenome:

- Ô seu Bem, vamos até a casa do Álvaro um pouco...

Memória 17 (João Firmino e Pedro Norberto)

João Firmino Marques - Filho de Maria Cândida e Firmino Luiz Marques, nasceu em 1911. Casou-se com Araydes Seixas (Lica), com quem teve três filhos: Marivani (casou-se com José Rubens Secamilo), Marilene (José Carlos Souza Godoy) e Alcir (Maria Ester Fava). A foto é do início da década de 1970.
Pedro Norberto Marques - Filho do casal Narciza e Norberto Luiz Marques, casou-se com a prima Julieta Castilho Marques, filha de Izaura Marques e Jonas Paula de Castilho. O casal teve cinco filhos: Omerina (casou-se com Clarides Nunes), Homero (Anizete Jamariqueli), Vera Lúcia (José Lopes de Oliveira), Reginaldo (Devaldete Mariano) e Ielza (Jair Boriola). A foto é da década de 1960.
(Fotos: Álbum da Família Marques)